Poesia francesa para homenagear Mario Quintana

A apresentação da obra dos poetas franceses preferidos de Mario Quintana é uma das atrações da programação dos 103 anos do poeta, promovida pela CCMQ.
O Quintanares e Melodias – Especial acontece na próxima quarta-feira, dia 29 de julho, a partir das 19h, no Acervo Mario Quintana, mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736), com entrada franca.
Para homenagear o patrono da CCMQ, os atores João Lima e Jairo Klein interpretam a obra de Arthur Rimbaud e Paul Verlaine, que eram os poetas preferidos de Quintana. Para o Quintanares e Melodias foram escolhidas as poesias do livro Uma Temporada no Inferno, de Rimbaud, com os poemas Amanhã, O Impossível, O Clarão, Delírios e Adeus. A apresentação será intercalada por músicas francesas, como La Bohème e La Vie en Rose, que serão executadas por Antonyo Ricardo (violonista) e Samuel Costa (acordeonista).
O programa 103 Anos do Poeta Mario Quintana vai oferecer, até 2 de agosto, um roteiro de atividades diversificadas para festejar o aniversário do patrono da CCMQ. A programação inclui espetáculos de música e poesia, apresentação de peças teatrais e oficina infantil.
A CCMQ é uma instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e as atividades tem o patrocínio do Banrisul.

Mais informações no site http://www.ccmq.com.br

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SONETO

Continuas mulher, ainda que que no meu verso
eu te componha neste outro universo
onde suspensos sobre o rio do tempo
dançamos o tango das nossas vidas.

És musa e tema, és do poema a palavra e a razão,
és o corpo que moldo com as mãos na cama,
e continuas a ser a imagem que me vence a expressão
sem que nesta união eu atinja o gozo da posse

que está sempre além do que a palavra encobre,
e reconheço a minha poesia fraca e pobre
ante a fortaleza e o ouro da tua beleza.

Tu, que és ideia e mulher, e te pões à minha frente,
desafiante e desnuda para que te consagre no lençol
deste papel onde o que fica é o fracasso do escrevente.

Gilberto Wallace Battilana
Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Poeta, editor da revista Folha de Letras, publicou “Alba Inicial” e “O artesão da solidão”, poemas. Participou de diversas antologias de autores premiados em concursos de contos e poemas. Ministra oficinas de criação literária.

Visite o seu blog:

http://blogdobattilana.blogspot.com/

CANTO DO ACANTOAR

Aqui do meu canto
Escuto teu canto
E me enterneço

Aqui do meu canto
Escuto teu pranto
E me entristeço

Me encanta teu canto
Me machuca teu pranto

E eu sou só desencanto
Aprisionado
Aqui no meu canto

Jacira Fagundes
Jacira é formada em Pedagogia, com especialização em Supervisão Escolar. Tem participação em diversas antologias. Revelação Literária Nova Prova, em 2002 e 1º lugar em Crônica, em 2005. Pertence à Associação Gaúcha de Escritores (AGES) e Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil (AJEB). É autora do livro infanto-juvenil “Um desafio para Manoel”, e da novela “Dois no espelho”. E organizadora e co-autora do livro “A mão que move as peças”, antologia da Oficina de Literatura que ministra na Vila Assunção. Colabora com crônicas mensais no jornal RSletras e no site http://www.gargantadaserpente.com.
Freqüenta o Atelier Livre da Prefeitura Municipal, combinando palavra e imagem na confecção de Livros de Artista.
Está à disposição para participação em feiras, debates e palestras junto a escolas e outras entidades interessadas.

Eis o link para o seu site pessoal:

http://www.jacirafagundes.com

NANAPDADA – Mail Art

A Arte Postal / Mail-Art cumpre a minha função de artista, compartilhar meu trabalho de um modo libertador e sem privacidade.

Visite o blog de Arte Postal NANAPDADA, coordenado pela artista plástica gaúcha Nádia Poltosi.

Eis o link do blog:

http://nadiaartepostal.blogspot.com/?zx=a353e6082ccda162

Published in: on julho 21, 2009 at 7:12 pm  Deixe um comentário  
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HÁ-QUE MORRER DE PÁSSAROS

Há-que morrer de pássaros
de estouro de lírios e crepúsculo,
de riso e canto de mão cheia
e deixar a gravidade nos bolsos
aos cobradores de impostos,
ceder os passos aos urgentes
turgimãos da arruaça a soldo.
Aferrar-se à esperanza
de braços abertos na rua
banquete de marcha ingovernável.
Há que andar que andando
se chega finalmente.
Os habitantes do rumo
repartem a alegria como água.
Há que desmorrer-se de possíveis
até nascer de novo, refundar
a terra em nome dos filhos.
Urge construir a verdadeira
a definitiva
casa das fraternidades.

(Tradução de Antonio Miranda)

Gabriel Impaglione
Nasceu em Buenos Aires em 1958 e vive na Itália. Poeta e jornalista argentino. Colaborador de publicações impressas e eletrônicas.
Publicou Echarle pájaros al Mundo (poesía, Ediciones Panorama- BsAs- 1994); Breviario de Cartografía Mágica (poesía, El Taller del Poeta- Galicia- 2002); Poemas Quietos (Antol. Editorial Mizares- Barcelona- 2002); Poemas en e-book Todas las voces una voz – Editado por Universidad de Educación a Distancia, Madrid, 2002; Bagdad y otros poemas (El Taller del Poeta- Galicia- 2003); Conto La manada “- Segundo prêmio Antología Escritores Hispanoamericanos en el Mundo- (Edit. Bellvigraf- Córdoba -Arg.- 2004); Letrarios de Utópolis (poesia, Linajes Editores- México- 2004). Cuentapájaros (poesia, no prelo, Taller del Poeta- Galicia). Premiado e reconhecido em várias oportunidades por sua atividade literária.

Visite o site Isla Negra, coordenado por Gabriel Impaglione:

http://isla_negra.zoomblog.com/

PENEIRANDO ESTRELAS

O açude é um enorme espelho,
prata pura,
emoldurado pelo pampa.
A névoa cai no campo,
vai envolvendo a alma,
e aprofundando a minha soledade.
Olhar na lua, peneiro tristezas.
As pequenas se espalham no breu da noite,
transmutadas em vagalumes.
As grandes ficam presas na rede da saudade.
E, quem sabe,
para mitigar a minha solidão,
o Velho Patrão vai peneirando estrelas,
que riscam o quadro-negro do universo,
deixando-as cair,
estrelas cadentes,
traços dourados de giz na imensidão.

Alcione Sortica
Poeta, contista e cronista nascido em Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil. Bacharel em Ciências Contábeis pela UFRGS, ex-Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. Reside em Porto Alegre desde 1967. Recebeu prêmios e tem participado ativamente da vida cultural gaúcha. Obra publicada: Cacos do tempo – contos – poesias – crônicas (2005).

BEATRIZ WEIGERT

Não houve nunca um último poema,
nenhum gesto de amor foi derradeiro.
Cada palavra, cada frase ou tema
deixou alguma coisa no tinteiro.
Um resmungo talvez, talvez um gesto,
um desejo maior, mas recalcado,
para ser algum dia manifesto
e novamente desarticulado.
Assim é este livro e seu horário
aberto no seu giro e diretriz,
como se houvesse nele o itinerário
de se chegar à luz de Beatriz.

Lisboa, 1989.

Gilberto Mendonça Teles (1931)
Nasceu em Bela Vista de Goiás. Reside no Rio de Janeiro, como professor da PUC, há trinta e quatro anos, nos quais se incluem os períodos em que trabalhou como professor de literatura brasileira em universidades estrangeiras: Uruguai, Portugal, França (Rennes e Nantes), Estados Unidos (Chicago) e Espanha (Salamanca). É poeta e crítico, com mais de trinta livros publicados nestas duas áreas e com os maiores elogios da crítica especializada. A sua poesia se encontra reunida em Hora aberta, volume de 1.114 páginas. A sua obra tem sido estudada em várias universidades, com cerca de quinze teses de mestrado e doutorado defendidas e algumas já publicadas.

Published in: on julho 16, 2009 at 10:28 pm  Deixe um comentário  
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Tei@ - Poema visual de Tchello d'Barros

Tei@ - Poema visual de Tchello d'Barros

Published in: on julho 16, 2009 at 9:58 pm  Deixe um comentário  

TRISTE REALIDADE

Fome !…
Suplício tão negro e triste
De quem no mundo tem fome
E que hoje mesmo ‘inda existe
Vera imagem da miséria
Angústia real e séria
Que dentro bem fundo dói
Mágoa que a alma consome
E a vida aos poucos destrói …

Fome!…
Flagelo dos nossos dias
Pungente em fragilidade
Pobre marginalizado
Aquele que é nosso irmão
Sofre de fome agonias
Estende a mão à caridade
Sem ter amor nem ter pão
Recorre à mendicidade
Sem justiça condenado
A cumprir o triste fado
Da vil discriminação !….

Fome!…
Verdade que causa dó
De quem no seu peito sente
A falta de humanidade
Cuja mera culpa é só
Não ter como a outra gente
O direito à igualdade.
Faminto e destroçado
Às vezes parece um bicho
Procurando a remexer
Pelos caixotes do lixo
Qualquer resto abandonado
P’ra poder sobreviver !…

Fome!…
Sina dum calado pranto
Será que Deus se esqueceu?
Ou não são eles seus filhos?
Porque os faz sofrer tanto?
Os sujeitou aos maus trilhos
E esta desdita lhes deu?
Porquê ? A Sociedade
E aquele que poder tem
Não ouve este meu recado?
Abrindo o seu coração
Mostrando fraternidade
Com justiça e afeição…
Pondo fim à atrocidade
Desta injúria que é pecado
E triste realidade !….

Euclides Cavaco
Nasceu em Seixo de Mira, distrito de Coimbra, Portugal. Realizou em Lisboa o curso geral dos liceus e frequentou posteriormente os estudos superiores. Em 1970, optou por se radicar no Canadá onde reside e, concluiu o curso em Gestão Administrativa. Desde a sua chegada ao Canadá participou em diversas associações comunitárias e organizou muitíssimos espectáculos. Fundou com um grupo de amigos o programa de televisão “Saudades de Portugal”, de cujo foi apresentador. Em 1976, devido ao seu envolvimento com a Sociedade Portuguesa, é nomeado Comissário pelo Governo do Ontário. Em 1980 liga-se à criação da Rádio Voz da Amizade, de que é diretor e locutor na qual se empenha fervorosamente à divulgação da Língua e cultura portuguesa há mais de 27 anos.

Visite o seu site:

http://www.euclidescavaco.com

Published in: on julho 16, 2009 at 9:30 pm  Deixe um comentário  
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LA JUDIA DE LONG BEACH

Era apenas una espiga de humo adormecido
con labios apagados en ceniza verde,
pero tenía una sombra de color de rubí
y un apellido cuyo sonido recordaba los gritos
de los ríos secados.
Yo la recuerdo. Yo recuerdo
el canto de la inmóvil judía
de grandes pechos tristes
y manos brillantes
estrujando su angustia serena.
Cantaba.
Mientras con murmullo de esperma y vidrio
lenta rayaba la madrugada en Long Beach
y en casas solitarias grumosas, cuellos rojos
adormecían las almohadas sintéticas;
una voz de níquel y paja
de su boca salía
sintiendo la carne tierna-dura
de los miles de muertos, sus penas desesperadas,
el color de las pieles agujereadas
y los ahogos
de los pulmones de los gases letales. Judía…
Fuera, las calles repletadas de luz y aire espumoso
frotaban la neblina
cascando los miles de vidrios rutilantes.
Rascacielos sin nubes cercados por el viento.
(Ríos naranja de carros helados
en los carriles de las autopistas de gran velocidad).
Ella tenía la voz de níquel y paja y el canto afilado, repito,
de incandescente alambre
quemando el paladar.
Apagada, vibraba en su extraño canto
(viva como una flor
cortada en el florero) con los ojos repletos de sombra pariendo palabras
su garganta blanca,
estrujando siglos
como un polen de hierro
sobre la herida roja.
Allí estuvo.
Trapos de olores dormidos
le cubrían las caderas,
cubierta de silencio
cuando la noche
masticaba la geometría torpe
de cauchos chamuscados.

Feliciano Mejía (1948)
Nasció en Perú. De nacionalidad peruano-francesa, hizo estudios superiores en la Universidad San Marcos de Lima, Le-Mirail de Toulouse, La Sorbonne de París y la de Caen. En once giras internacionales ha participado en diversos encuentros y certámenes como los festivales de Utrech, (Holanda), Hessen (Alemania), Los Angeles (Estados Unidos), Rodez y Toulouse (Francia), Corumbá (Brasil).

Sobre el autor, visite las seguientes páginas web:

www. iespana.es/felicianomejia/
http://www.rocaxpoetas.galeon.com
http://www.blog-v.com/caszadepoesia/