PENEIRANDO ESTRELAS

O açude é um enorme espelho,
prata pura,
emoldurado pelo pampa.
A névoa cai no campo,
vai envolvendo a alma,
e aprofundando a minha soledade.
Olhar na lua, peneiro tristezas.
As pequenas se espalham no breu da noite,
transmutadas em vagalumes.
As grandes ficam presas na rede da saudade.
E, quem sabe,
para mitigar a minha solidão,
o Velho Patrão vai peneirando estrelas,
que riscam o quadro-negro do universo,
deixando-as cair,
estrelas cadentes,
traços dourados de giz na imensidão.

Alcione Sortica
Poeta, contista e cronista nascido em Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil. Bacharel em Ciências Contábeis pela UFRGS, ex-Auditor Fiscal do Tesouro Nacional. Reside em Porto Alegre desde 1967. Recebeu prêmios e tem participado ativamente da vida cultural gaúcha. Obra publicada: Cacos do tempo – contos – poesias – crônicas (2005).

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