1º SARAU POÉTICO DO PT DE PORTO ALEGRE

Programa:
Recital de poesias de Álvares de Azevedo, Cecília Meireles, Pablo Neruda, dos gaúchos Lila Ripoll e Lobo da Costa, entre outros.

Apresentação: Adroaldo Barboza – Presidente do Clube Literário Jardim Ipiranga

Participantes:
Paulo Bacedônio – Poeta e ativista cultural
Benedito Saldanha – Poeta e Presidente da Sociedade Partenon Literário
Bira JR – Músico
Francisco Castro – Músico
Nabil – Músico

DIA: 09 DE SETEMBRO DE 2011
HORÁRIO: 19:30 H
ONDE: Sede do PT Municipal
Av. João Pessoa, 785
Fone: 3211-4888
Porto Alegre – Rio Grande do Sul

E-mail para contato: expressoletras@yahoo.com.br

PROMOÇÃO: Partido dos Trabalhadores de Porto Alegre
PARCERIA: Academia de Letras e Artes de Porto Alegre e Clube Literário Jardim Ipiranga

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DEUSES E MITOS

Bilhões de auroras foram necessárias
Até que o fogo se fizesse lava,
Até que a lava se fizesse pedra,
Até que a pedra se fizesse Terra.

Bilhões de auroras foram necessárias
Até que os brutos se tornassem homens,
Até que os homens se tornassem anjos,
Até que os anjos se tornassem Deuses.

Bilhões de auroras foram necessárias
Até que os homens inventassem mitos,
Até que os mitos constituíssem fé.

Contudo apenas uma aurora basta
Para que os homens, finalmente homens,
Cancelem mitos e estraçalhem Deuses.

(Lua ó)

Gastão Torres
Poeta nascido em Venâncio Aires, Rio Grande do Sul, Brasil.

DE QUE VALE O REINO

Exíguo é o corpo
onde instauro o poema

Devassada sinto-lhe a permanência
o salto frustrado
o verso em pânico

Ávidos
o matamos
na luta pela posse
onde inventamos as leis
e detemos o patrimônio

Nessa guerra
agressivos
geramos nossos filhos:
— A mão oclusa
acionando gatilhos

Da fera
visíveis se mostram os delitos
o oculto bote
os enigmas

Em vão forjei coisas maiores
e deixei o amor crescer
entre um verso e outro

Há trinta e nove anos
assisto os mesmos crimes
o silêncio crestando a fala

De que vale o reino
com seus pomos de usura
e a loucura dos gumes

De que vale o reino
e sua espada
o viço da bandeira
as honrarias
se poucos são os convivas
junto à mesa

César Pereira (1934)
Nasceu em Taquari, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Poeta, contista, cronista. Pertence à Academia Riograndense de Letras. Foi o lançador da Poesia Concreta no Rio Grande do Sul em 1958, e em 1965 da Poesia Visual, sendo um dos precursores no País. Conquistou em 1986, o 1º lugar no Concurso Nacional de Poesia PETROBRÁS, na época um dos maiores do Brasil. Publicou: Carrossel de cinzas (1960); Dardos de ajuste (1974); Porta de emergência (1989); Gaveta de achados (2008).

SIRVO DE VOZ

Sirvo de voz
para que não sangres
como um galo antes de cantar.

Sirvo de voz
para que passes a tocha
ao filho que se precipita por entre os dedos.

Sirvo de voz
para que o machado se deixe florir
e dê amêndoas ao lenhador.

Sirvo de voz
para que a estrada caminhe ao teu encontro
e traga abrigo e destino.

Sirvo de voz
para que a palavra se exalte
e amotine os que clamam no deserto.

PAULO ROBERTO DO CARMO (1941)
Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Poeta, professor e tradutor. Tem participado de diversas antologias no Brasil e em Portugal. Recebeu o Prêmio Nacional de Poesia Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional, em 2000. Finalista do Prêmio Açorianos, cidade de Porto Alegre. Principais obras publicadas: Crisbal, o guerreiro (1966 e 2002, 2ª. ed. reescrita); Estação de força (1987); Livro de preceitos (1993); Livro das manhãs (1997); 50 poemas escolhidos pelo autor (2006); À sombra de outra sombra (2010).

Site: http://www.artistasgauchos.com/pauloroberto/

CINZAS E BEBIDAS

Da sombra risonha eterna da esperança
Salpicam lavas gritantes de um vulcão
Da sombra negra e imorredoura da saudade
Brotam flores de um jardim esquecido

Do rastro longo da amargura perdida
Nasce um dia borbulhante de alegria
Do manheiroso e berrante apogeu do sol
Nasce o negror da noite que se avizinha

Da bruma calma, vacilante e enganadora
Reerguem-se castelos pálidos de tremor
No afã de rabiscar altitudes imensas

Do frescor rutilante do amanhecer
Jorram cinzas e bebidas do passado
Surgindo da beira do asfalto um perfil de mulher

Dimitri Pedrazzi

A GREGÓRIO DE MATOS

És Pátria Perpétua
Palco de onde brotam flores
Rebentos, também, de críticas sociais…
Feitiço de guerra justa…
Desperta a aurora deste chão
Muitos séculos depois
BOCA SANTA!
Beija e ama as tuas Angélicas
através dos tempos
Segue pelos matos da verdade, Gregório,
E declara a GUERRA DOS POETAS
Que põe em prontidão a Humanidade!

Fernanda Pedrazzi

SARAU COM RITMO: HOMENAGEM A LILA RIPOLL

PROJETO SARAU COM RITMO

Homenagem à Poetisa Lila Ripoll

Uma das principais vozes da poesia gaúcha

A Academia de Letras e Artes de Porto Alegre em parceria com o Clube Literário Jardim Ipiranga promove no dia 1º de março, terça-feira, na cidade de Porto Alegre, mais uma edição do Sarau com Ritmo, com apresentações de poetas da capital, debates e exibição de vídeo.

O QUÊ
Sarau poético em homenagem à poetisa gaúcha Lila Ripoll. Também durante o evento haverá estande para venda de livros e exibição de vídeo sobre a artista homenageada.

QUEM
Apresentação de poetas e artistas de sociedades culturais da capital

QUANDO
1º de março de 2011, terça-feira, às 19 h Entrada Franca

ONDE
Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Sala O Retrato) Rua dos Andradas, 1223, Porto Alegre.

Contatos: Fones 9336-6540 / 3446-2652 ou expressoletras@yahoo.com.br
Poetisa, professora, jornalista e pianista. Militante comunista. Nasceu em Quaraí, a 12 de agosto de 1905. Colaborou no “Correio do Povo” e na “Revista Universitária”. Editou a “Revista Horizonte” (1951). Na década de 1930 foi diretora do Departamento Cultural do Sindicato dos Metalúrgicos, onde militou pelo Partido Comunista. Participou, em 1951, no grupo Partidários da Paz, com Graciliano Ramos, Dyonelio Machado e Laci Osório. Revolucionária convicta e militante, atuou também no Centro dos Professores e no Grupo de Arte, fundado por ela para a promoção de espetáculos teatrais. Foi presa após o golpe militar de 1964, e libertada em seguida por motivo de doença. Entre seus livros destaca-se Novos poemas (poesia), de 1951, obra vencedora do prêmio Pablo Neruda da Paz. Faleceu em 1967, vítima de câncer.

OBRAS
De mãos postas (poesia). Porto Alegre: Livraria do Globo, 1938. Céu vazio (poesia). Porto Alegre: Livraria do Globo, 1941 (Obra vencedora do prêmio Olavo Bilac Da Academia Brasileira de Letras). Por quê? (poesia). Rio de Janeiro: José Olympio, 1947. Novos poemas (poesia). Porto Alegre: Horizonte, 1951 (Obra vencedora do prêmio Pablo Neruda da Paz). Primeiro de maio (poesia). Porto Alegre: Horizonte, 1954. Poemas e canções (poesia). Porto Alegre: Horizonte, 1957. Um colar de vidro (peça teatral inédita). Porto Alegre: 1958. O coração descoberto (poesia). Rio de Janeiro: Vitória, 1961. Águas móveis (poesia). Inédito de 1965. “Poesias”. In: Cadernos do extremo sul. Alegrete: s/ed., 1967. Antologia poética Rio de Janeiro: Leitura; Instituto Nacional do Livro / MEC, 1968 (edição póstuma).

COORDENAÇÃO
Benedito Saldanha & Adroaldo Barboza

PROJETO “VERÃO COM POESIA” – MARIAS, AMÉLIAS E CAMÉLIAS

MARIAS, AMÉLIAS E CAMÉLIAS

MARIAS, AMÉLIAS E CAMÉLIAS

TRÊS POEMAS BILÍNGUES DE PAULO BACEDÔNIO / Tres poemas bilingües de Paulo Bacedônio

poemadearte

desenharobservando
odesmoronamentodidático
eadecomposiçãodesenfreada
dearenquesdesdentados
decapitadosderretidos
oudemasiadamente
defumadosdedúvidas

.

poemadearte

dibujarobservando
eldesmoronamientodidáctico
yladescomposicióndesenfrenada
dearenquesdesdentados
decapitadosderretidos
odemasiadamente
ahumadosdedudas

(Trad.: Gabriel Solís, escritor, profesor y traductor uruguayo)

*
*
*

PERMISSÃO

Vou permitir
O andamento
Da nova
Estação
Amorosa

Vou permitir
Que
A vizinhança
De pássaros
Cante
Outr’aurora

Vou permitir
Que
O fogo
Do sol
Requeime
Tua pele
De madeira
Olorosa

.

PERMISO

Permitiré
El andar
De la nueva
Estación
Amorosa

Permitiré
Que
La vecindad
De pájaros
Cante
Otra aurora

Permitiré
Que
El fuego
Del sol
Requeme
Tu piel
De madera
Olorosa

(Trad.: Gabriel Solís, escritor, profesor y traductor uruguayo)

*
*
*

FLOR, MEL E FOGO

Da flor:
Pétalas
Em
Tuas
Madeixas

Do mel:
Favos
Em
Tua boca
Do fogo:
Centelhas
Em
Teu ventre

.

FLOR, MIEL Y FUEGO

De la flor:
Pétalos
En
Tus madejas

De la miel:
Panales
En
Tu boca

Del fuego:
Centellas
En
Tu vientre

(Trad.: Gabriel Solís, escritor, profesor y traductor uruguayo)

PAULO BACEDÔNIO (1974)
Poeta, artista plástico, editor e pesquisador. Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Publicou: Embrionário (1996); Livro cálido (2005); IV poemas (2006); 7 poemas cálidos (2006); vagasAvapor (2008); Três poemas bilíngues, edição em português e espanhol (2009); Quatro poemas bilíngues, edição em português e espanhol (2010). Participou pessoalmente dos V, VI e XVI Congressos Brasileiros de Poesia, em Bento Gonçalves/RS (1997/1998/2008), do 1º Encontro Internacional de Poesia, em Jaguarão/Brasil e Rio Branco/Uruguai (1998) e do 6º Encontro Internacional de Escritores, em Tinogasta/Argentina (2010); e participou também da VII Bienal Internacional de Poesia Visual/Experimental do México (2001), do 5º A. V. Text-Fest, Festival de Literatura Experimental, em Mexicali/México (2002), do 5º Encontro Internacional de Poesia Visual, Sonora e Experimental, em Buenos Aires/Argentina (2002), da XIII Mostra Internacional de Poesia Visual, em Bento Gonçalves/Brasil (2008) e da EX!POESÍA – 1ª Bienal de Poesia Experimental de Euskadi, em Euskadi/ Espanha (2008). Participou de exposições de pintura, desenho, gravura, livro de artista, poesia visual e arte postal no Brasil e nos seguintes países: França, Argentina, Cuba, Venezuela, Romênia, Espanha, México, Estados Unidos, Bélgica, Canadá, Itália, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Holanda, Chile, Luxemburgo, Austrália, Malásia, Grécia, Rússia e Uruguai. Recebeu prêmios e distinções pelo seu trabalho em prol da arte.

PAULO BACEDÔNIO (1974)
Poeta, artista plástico, editor y investigador. Nació en Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Publicó: Embrionário (1996); Livro cálido (2005); IV poemas (2006); 7 poemas cálidos (2006); vagasAvapor (2008); Três poemas bilíngues, en portugués y español (2009); Quatro poemas bilíngues, en portugués y español (2010). Participó personalmente del V, VI y XVI Congreso Brasilero de Poesía en Bento Gonçalves/RS (1997/1998/2008), del I Encuentro Internacional de Poesía, en Jaguarão/Brasil y Rio Branco/Uruguay (1998) y del 6to Encuentro Internacional de Escritores, en Tinogasta/Argentina (2010); y participó también de la VII Bienal Internacional de Poesía Visual/Experimental de Méjico (2001), del 5to A.V. Text-Fest, Festival Internacional de Literatura Experimental, en Mexicali/Méjico (2002), del 5to Encuentro Internacional de Poesía Visual, Sonora y Experimental, en Buenos Aires/Argentina (2002), de la XIII Muestra Internacional de Poesía Visual, en Bento Gonçalves/Brasil (2008) y de la EX!POESÍA – 1ª Bienal de Poesía Experimental de Euskadi, en Euskadi/ España (2008). Participó de exposiciones de pintura, dibujo, grabado, libro de artista, poesía visual y arte correo en Brasil y en los siguientes países: Cuba, Argentina, Francia, Venezuela, Romenia, España, EE.UU., Bélgica, Canadá, Italia, Alemania, Reino Unido, Portugal, Holanda, Chile, Luxemburgo, Australia, Malasia, Grecia, Russia y Uruguay. Ha obtenido premios y distinciones por su labor artístico.

VOCÊ SEMPRE VAI ESTAR

Onde existir um sorriso de criança
Você sempre vai estar
Numa roda de amigos
Entre pandeiros e canções
Vou lembrar de você

Onde houver flores e saudade
Você sempre vai estar
No café do fim da tarde
Nas manhãs dos meus domingos
Vou lembrar de você

Onde houver gestos de ternura
Você sempre vai estar
Na beleza do pôr-do-sol
Na comédia ou na aventura
Vou lembrar de você

Onde houver uma seresta afinada
Você sempre vai estar
No suspiro de um pássaro sem rumo
No abraço mais fraterno
Vou lembrar de você

E quando tudo me parecer estar perdido
Vou lembrar de você
Mesmo que o mundo me vire as costas
Sei que você estará sempre me olhando
Me pedindo para seguir em busca da verdade
Porque você um dia me disse:
“Mesmo que o mundo te faça triste
Sempre acredite no bem da humanidade”

BENEDITO SALDANHA
Nasceu em Viamão, Estado do Rio Grande do Sul. É pesquisador e escritor, funcionário público municipal desde 1995. Criador do Sarau com Ritmo (exibido mensalmente no Centro Cultural CEEE). Publicou os livros A Mocidade do Partenon Literário, Laços Eternos e Luciana de Abreu. Idealizador do Concurso Poético Expresso das Letras (seis edições consecutivas). É Presidente da Academia de Letras e Artes de Porto Alegre e do atual Partenon Literário, foi jurado do Concurso de Poesias do BANRISUL e do Concurso Histórias do Trabalho da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Foi empossado em 2010 como membro da Academia de Letras do Brasil.

E-mail: expressoletras@yahoo.com.br
Fone: 9336-6540/3446-4298.