VOZES DA BRUMA NOS CÓDIGOS POÉTICOS, ensaio de Élvio Vargas

“ De vozes sim, e aqui, onde o vento era escasso, ouviam-se melhor. Ficavam dentro da gente, pesadas. Lembrei-me do que dissera minha mãe: “ Lá você vai ouvir melhor. Estarei mais perto. Vai achar a voz das minhas recordações mais próxima que a da minha morte, se é que algum dia a morte teve voz “ 1

Perambula pela linguagem uma freqüência fantasma, uma porta sensorial onde todas as personagens transitam, independente da conspiração escritural que as convocou. Muitas chegam com as chagas dos séculos, outras surgem embrionárias. Algumas inflamadas, obsessivas, não sei se demoníacas ou celestiais, interferem e nos abduzem – através delas mergulhamos no ponto do abismo. Somos o epicentro atormentado de nossos poemas, e nos reservamos ao trágico direito de nosso próprio seqüestro, gravando no proscênio mágico das páginas, um aroma de intensa volúpia, que muitas vezes surpreende, enternece e até amedronta leitores descontraídos, com seus diálogos de mistérios, abandonos e agonias.Inevitavelmente, nossas vidas são dragadas para o pulsar cardíaco de uma grande trama, que só contempla os entes mais inquietos de uma bela e dramática ficção, justamente nesta fração de segundos , em que a poética por osmose invade o ficcional e remete-nos para a condição de uma terceira pessoa. Para isto, conquistamos o inédito ofício de nos traduzirmos de uma densa matéria, para assumirmos as falas ventríloquas emitidas pelos roteiros que a eternidade nos impôs, o que nos torna imortais atores de nossa mitologia pessoal ou insólitos personagens criados pela nossa urgente e imprevisível dramaturgia.

“ Senti que o povoado vivia…” 2

No dia 18 de abril de 1842, nascia em Ponta Delgada, nos Açores, o poeta Antero Tarquínio de Quental. Em 1865, perto da cidade de Coimbra, presidiu “A Sociedade do Raio”, uma estranha entidade metafísica, que abrigava sua sessões, bem no meio de um vilarejo , numa delas, ouviu-se de longe, o cadenciado trote de um alazão.

“ É o cavalo de Miguel Páramo, que está galopando a caminho de Media Luna.” 3
“Esse negro galope, cujas passadas
escuto em sonhos, quando a sombra desce,
e, passando a galope, me aparece
da noite nas fantásticas estradas,
Donde vem ele? que regiões sagradas
e terríveis cruzou, que assim parece
tenebroso e sublime, e lhe estremece
não sei que horror nas crinas agitadas?
Um cavaleiro de expressão potente,
formidável, mas plácido, no porte,
vestido de armadura reluzente,
Cavalga a fera estranha sem temor:
e o corcel negro diz: “ Eu sou a morte!
-Responde o cavaleiro: Eu sou o Amor! “4

Neste soneto soçobram as trevas fundantes do “ Corvo”, de Edgar Alan Poe”. Aqui -ainda Tarquínio – sente com fugacidade os espectros que rondam-no. Uma brisa fria adverte-lhe, bruxuleando a esguia chama da vela que lividamente ilumina suas opacas folhas. No pé direito da parede, todo o espiral projetado pela minguada luz, desenha um pajem negro oferecendo as últimas tâmaras para Cleópatra. Na noite de 11 de setembro de 1865, cede para as sedições de suas sombras e conquista seu próprio galope para a eternidade.

Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa no dia 19 de maio de 1890. Com apenas dois anos de idade perde sua mãe. Em 1911, matricula-se na Faculdade de Direito de Coimbra, e no ano seguinte, vai estudar em Paris. Lá começa a corresponder-se com Fernando Pessoa. Durante as epístolas, estranhas vozes guiam sua mão trêmula, escrevendo versos encharcados de um póstumo desejo, com opiários de incensos, entorpecidos no fado de uma esperança contaminada pelas pálidas horas do fim.

Excertos de um soneto de Mário de Sá Carneiro.

(…) Num ímpeto de difuso quebranto
tudo encetei e nada possuí.
Hoje de mim, só resta o desencanto
das coisas que beijei mas não vivi. 5

Trecho da última carta, escrita para Fernando Pessoa, no dia 04 de abril de 1916, vinte e dois dias antes do seu desaparecimento. Toda a correspondência entre eles, gerou 217 cartas.

“ Meu querido Amigo,
(…) Neste enredo formidável de coisas trágicas e até picarescas, não sei desvencilhar-me para lhe fixar certos detalhes.

(…) Assim ontem de manhã deixei a personagem feminina destes sarrilhos a dormir, bem certa de que pelo meio-dia regressaria a casa com mil francos. Saí para escrever um pneumático longuíssimo onde contava tudo e anunciava meu suicídio às duas e meia na estação de Pigalle ( Nord- Sur) . E que lhe deixaria o meu “stylo” na caixa de certo café, como última recordação. Efectivamente preparei tudo para a minha morte. Escrevi-lhe uma última carta, a você, outra a meu Pai- e a ela outro pneumático.

“ (…) Ria-se: mas no fundo tenha muita pena, muita do seu, seu

Mário de Sá-Carneiro

Escreva imediatamente! Escreva “. 6

Vinte dias antes em Lisboa, devidamente carimbadas e classificadas, saíram todas as cartas expedidas até aquela data. O pequeno caminhão partira um pouco mais cedo, para vencer as lombadas que separavam a esquina cinza da companhia Reuters até a zona portuária. Os eixos ressequidos rangiam, doídos pelo fardo monumental das palavras. Com o mesmo planejamento e intensidade zarpava de Paris outro comboio, carregado de sinistras estrofes. Os cavalos a vapor pastavam quietos entre o rumino de suas máquinas. As cartas nunca se cruzaram – só nos resta rompermos o lacre da última e sorrateiramente decifrá-la. Outrar-se, com incorrigível supremacia , era a maior arte do seu signatário. Desmontar realidades num domicílio onírico e reedificá-las noutros, eram partes inseparáveis de sua prestidigitação psíquica. Migrar de uma dimensão para outros espaços plasmados em substância e éter, davam-lhe a sucção anímica do ortônimo sobre os heterônimos, sugando-lhes e sendo sugado, num transe de endovenosa emoção, oxigenando sonhos e pesadelos, no gozo alucinado das essências e dos conflitos onde Fernando hospeda suas várias Pessoas…tantas, que ao voltar de sua projeciologia mediúnica, nunca mais pôde acessar-se como criador e diluiu-se entre as suas criaturas.
“ Escrevo-lhe hoje por uma necessidade sentimental- uma ânsia aflita de falar consigo. Como daqui se depreende, eu nada tenho a dizer-lhe . Só isto- que estou hoje no fundo de uma depressão sem fundo. O absurdo da frase falará por mim.

Estou num daqueles dias que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá, e esta é a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

(…) Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que me sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena- chia de aqui e agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas. (…) Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio, amanhã, relendo-a , me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no “ Livro do Desassossego”. Mas isto nada roubará a sinceridade com que a escrevo, nem a dolorosa inevitabilidade com que a sinto.

(…) Isto não é bem loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferente destes.

De que cor será sentir?

Milhares de abraços do seu, sempre muito seu,

Fernando Pessoa

P.S- Escrevi esta carta de um jacto. Relendo-a, vejo que, decididamente a copiarei amanhã, antes de lhe mandar.Poucas vezes tenho tão completamente escrito o meu psiquismo, com todas as suas atitudes sentimentais e intelectuais, com toda a sua histero-neurastenia fundamental, com todas aquelas intersecções e esquinas na consciência de si próprio que dele são tão características…

Você acha-me razão, não é verdade? “ 7

Florbela (d”Alma da Conceição) Espanca, nasceu em Vila Viçosa, no Alentejo, a 8 de dezembro de 1894. Freqüentou o curso primário em Vila Viçosa e o secundário em Évora. Casa-se em 1913,indo morar em Redondo, volta para Évora e conclui o Curso Complementar de Letras em 1917. Neste mesmo ano, matricula-se no curso de Direito na Universidade de Lisboa e abandona-o em 1920. Nos anos seguintes, depressiva, entre novos casamentos, separações e litígios internos, alcança o ano de 1927, quando seu irmão perde a vida num acidente aéreo. Logo após, com a disciplinada solidão de Penélope, fia seus versos de dia e desfia-os à noite, e rompe seu acordo de existência, no dia do seu aniversário, em 1930.Está entre os novelos…
Errante

“(…) Meu coração da cor dos rubros vinhos
rasga a mortalha do meu peito brando
e vai fugindo, e tonto vai andando
a perder-se na bruma dos caminhos.
(…) Eu tecerei uns sonhos irreais
como essa mãe que viu partir o filho
como esse filho que não voltou mais!” 8

Flor bela de almas e Conceição, espanca todas as ervas daninhas, pequenos talos e ramos que não dizem respeito aos seus domingos. Vestida com seu manto de crisântemos, e com a pele lunar de suas magnólias brancas, ascende, levitando sobre círios e açucenas, um buquê de cálidas fragrâncias, para os reinos líricos do seu Alentejo.

“(…)Maiakoviski deixou uma autobiografia, iniciada em 1922 e completada, com mais alguns dados informativos, em 1928.EU SOU UM POETA , diz ele no princípio. Nasceu em 7 de julho de 1894 e passou a infância na aldeia de Bagdadi, nos arredores de Kutaíssi, na Georgia. Em 1900, andando a cavalo com seu pai, à noite, pela floresta, cercado pela névoa, esbarrou num galho com espinhos, subitamente a névoa se desfez, uma luz mais clara apareceu no céu, era a eletricidade. O menino poeta Maiakoviski brada: Depois de conhecer este clarão, a natureza para mim, não tem mais interesse, não é bastante perfeita!!! Dali em diante ,ele seria o poeta das coisas novas, da ciência e da técnica, contrariando todos os cânones da tradição russa, seria o poeta da cidade.

(…)Me deixa urrar meu último grito
toda a amargura das queixas ofendidas.
(…) O dia que eu vim entre vocês
foi absolutamente
desesperadamente igual aos outros.
(…) Quem já me beijou
pode dizer
se existe bebida mais doce que a minha saliva.
(…) Sobre mim correm
e me banham com as carícias
os mares da eternidade.
(…) Debaixo de mim
o mundo
e suas milhares de igrejas
já entoaram meu réquiem.

(Breviário sobre o fim- No dia 08 de abril, Vladimir Maiakoviski assiste o extraordinário, lírico e poético flime “ A Terra” de Dovtchenko.Na manhã seguinte realizou uma conferência e debateu com estudantes.No dia 11, discutiu sobre projetos e direitos autorais do escritor russo. Para o dia 13, planejava uma viagem à Leningrado, em companhia de outros intelectuais.No dia 14 de abril de 1930, desapareceu com uma bala de revólver, disparada na cabeça. Imediatamente o secretário geral do partido emitiu uma nota, isentando-os, ao afirmar que o suposto suicídio não tinha relações sócio-literárias com o poeta. Trotski, que mais tarde foi assassinado no México, acusou frontalmente os donos desta informação, por negligenciarem o estado emocional do poeta e o seu stress para aqueles negros dias.Neste período, o poeta foi terrivelmente atacado pelos burocratas acadêmicos que ocupavam altos postos no politburo, e dali uns dias, a liberdade artística é submetida ao obscurantismo, traindo as promessas de Marx e Lenin.)

Burliuk despertou o interesse de Maiakovski pelos livros, além de comprar-lhes, exigia-lhe que os lessem, e para completar o mecenato, dava-lhe 50 kopeks por dia, para que escrevesse e não passasse fome. Khlebnikov, um dos maiores poetas da época, detentor de bizarros casos, dentre eles, em uma de suas andanças pela Rússia, vendeu a calça e a camisa para comer, encurralado pela nudez, abrigou-se num saco e deu o dinheiro para que sua mulher guardasse. Embora anacrônico e quase insano, sonhava com uma linguagem universal. Seus poemas de ardor utopista, animaram as peças e os versos de nosso ainda infante vate. A morfologia desta influência, estava conectada num simulacro semântico, reciclando palavras e transformando-as em poemas, com sonoras seqüelas musicais, produzindo significados novos. Na ourivesaria dos seus ritmos, seu estilete cortava-as, e estes recortes, fundidos com outros, esculpiam novos blocos melopéicos. Esta metalinguagem cubo-futurista, devidamente traduzida por Augusto de Campos, expôs para o português, este raro fragmento:
Balalaica
( como um balido
abala
“ a balada do baile
de gala )

C como um balido
abala)
abala ( com
balido)
( a gala do baile )
louca a bala
laica “

Maiakoviski fascina-se por esta ousada fórmula, porém recicla-a com os rígidos padrões do seu estilo, tornando-a mais precisa de matemáticas musicalidades, podando-a na sua plasticidade de suntuosas miragens e temperando-a com pitadas de urticárias sociais, sua paciente suavidade. Ei-lo com o produto final de sua nova carpintaria:
“ No berço embocadura barcos presos
aos mamilos de madres de ferro
a orelha surda dos navios agora
rebrilham brincos de âncora.” 9

Alejandra Pizarnik, nasceu em Buenos Aires em 29 de abril de 1936. Era filha de imigrantes vindos do Leste Europeu. Estudou filosofia e literatura na Universidade de Buenos Aires. Entre 1960 e 1964, viveu em Paris, e lá trabalhou numa editora traduzindo Antonin Artaud, Henri Michaux, Aimã Cesar e Yves Bonnefoy para o idioma espanhol. Neste mesmo período estudou a história das religiões e literatura contemporânea, na Sorbone. Ao regressar para Buenos Aires, organiza-se e escreve a Condessa Sangrenta. Em 1969, ganha uma bolsa de estudos para Guggenheim e no ano de 1971 ,conquista outra para Fulbright. Em 25 de setembro de 1972, após sua internação, mergulha numa overdose de seconal e sai em…
“ PEREGRINAÇÃO
Chamei, chamei como náufraga ditosa
as ondas verdugas
que conhecem o verdadeiro nome
da morte.
Chamei o vento
Confiei-lhe o meu desejo de ser
mas um pássaro morto
voa até a desesperança
em meio a música
quando as bruxas e as flores
cortam
a mão da bruma
Um pássaro morto chamado azul
não é solidão com asas
é o silêncio da prisioneira
é a mudez de pássaros e ventos
é o mundo irritado com meu vento riso
ou os guardiões do inferno
rompendo minhas cartas
Tenho chamado, tenho chamado
Tenho chamado, até nunca…” 10

Versos, poetas e destinos, alimentam-se nas algas noturnas de suas próprias expiações, mergulham e voam, pelos oceanos invisíveis da alma humana. Pagamos um preço insólito, sem remorsos, sem remissões, pela nossa condição de pescadores do sobrenatural. Nossa palavra é bálsamo para tantos. Carregá-la aos olhos do mundo é materializar borboletas com um simples sopro primaveril, suportá-las, representa todas as pedras de Sísifo.

Ana Cristina Cesar

Nasceu em 1952 na cidade do Rio de Janeiro. Viveu sua infância entre Niterói, Copacabana e os jardins do velho Bennet. Após terminar seus estudos no Brasil, vai para Londres no final de 1968. Logo após, viaja intensamente pelo exterior, dá aulas, traduz Sylvia Plath, faz letras para músicas, publica seus poemas em jornais alternativos, e participa da antologia” 26 Poetas Hoje”, organizada por Heloísa Buarque. Pesquisou sobre literatura e cinema, mestrando-se em comunicação. Publicou Cenas de Abril e Correspondência Completa em edições independentes. No final dos anos 70 volta para Inglaterra. Dividi este tempo entre aulas, traduções e edita Luvas de Pelica. No seu retorno, vive entre São Paulo e o Rio de Janeiro, mas mantém sua residência carioca. Segue trabalhando em jornalismo, televisão e escreve A Teus Pés. No dia 29 de outubro de 1983 virou pássaro e nunca mais foi vista. Recebe visitas através dos seus livros…

“ (…) Estou vivendo de hora em hora, com muito temor.

Durante estes últimos meses amor foi fogo.
Contagem regressiva : a zerar.
Hoje é o zero,
e daqui ( Cristo em cruz de costas)
começo a amar.

Agora, imediatamente, é aqui que começa o primeiro sinal do peso do corpo que sobe. Aqui troco de mão e começo a ordenar o caos

Chão de sal grosso e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que
nossos olhos sorriem na distância.”
Estou sirgando, mas
o velame foge.
Te digo: não chores não.
Aqui é mais calmo, é suave ardor
que se pode namorar à distância.
Não é teu corpo
é a possibilidade da sombra.
Que se recorta e se recobre.
Eles se desencaminham,
mas não se pode fazer por menos.
Querida, lembra nossas soluções?
nossas bandeiras levantadas?
o verão?
o recorte dos ritmos, intacto?
É para você que escrevo, é para
você.
“My life closed twice before its close”
Emily Dickinson – 01.10.83 “ 11

Ana Cristina Cesar, desde seus primeiros versos, biografa com ternura, paixão e despedida uma atribulada vida, onde os poemas embarcam fretados em naus talhadas por uma saudade de si mesma e dos seus ardentes amores. É a linguagem arrolada em sentenças líricas de cartas-testamento, confiscando o tesouro fugaz das horas que precedem a execução do rito. É a vela que arde no pináculo do seu próprio esquecimento.

Sylvia Plath, nasceu em Boston no dia 27 de outubro de 1932. No outono de 1940, publica seu primeiro poema e no verão de 1950 dá publicidade ao seu primeiro conto. Aqui começo a tessitura final desta prosa ensaiada com seus devidos e misteriosos paralelos. Existe um termo que os espiritualistas denominaram como obsessão. Esta consiste numa sedução por parte de alguém desencarnada em situações movidas por compulsão trágica, a levar a sua eleita para o mesmo desfecho, projetando-a no mesmo ponto do abismo. Ana Cristina Cesar, com exemplar e velada vocação para este vaticínio, envereda pelas vigílias de sua traduzida, freqüenta os labirintos ofertados pelos poemas, e aos poucos vai sendo abduzida pelo buraco negro que a sua mediúnica padroeira lhe reservou. Nos poetas existe uma auto-erotização pela morte que lhes punge e confunde em graus de flagelo e hipnotismo, o que muito bem mostro durante a travessia deste texto. Ana Cristina, ao contrário de Teseu, entra nestas sendas, mas esquece o novelo e não sai mais de sua lúgubre caverna. Este é o ágio que pagamos para acessar este inefável mundo das linguagens…a seguir a última moeda que Sylvia Plath pagou ao barqueiro Caronte, 5 dias antes de sua última viagem…na madrugada de 11 de janeiro de 1963.
“ AUGE

A mulher está perfeita.
Morto,
Seu corpo mostra um sorriso de satisfação,
A ilusão de uma necessidade grega
Flui pelas dobras de sua toga,
Nus, seus pés
Parecem nos dizer:
Fomos tão longe, é o fim.
Cada criança morta, uma serpente branca,
Em volta de cada
Vasilha de leite, agora vazia.
Ela abraçou
Todas em seu seio como pétalas
De uma rosa que se fecha quando o jardim
Se espessa e odores sangram
Da garganta profunda e doce de uma flor noturna.
A lua não tem nada que estar triste,
Espiando tudo de seu capuz de osso.
Ela já está acostumada a isso.
Seu lado negro avança e draga.” 12

Planejei com toda a intensidade, a dura imobilidade das horas plantadas na pedra, lacrando com cera, os mínimos espaços da luz. Moldei com as carnes do delírio, todo o monumento do meu sono, e com gasosas anáguas, habitei-me, desenhada no rosto final da minha vertigem.

O locutor da Rádio Belgrano de Buenos Aires anuncia:

Chuvas esparsas e ventos moderados para o dia de hoje,
para quem vai viajar, muito cuidado nas estradas e no mar!
Luarita aprontara o almoço, um pouco mais cedo.

A dona da casa levanta-se, almoça e pede para não ser incomodada, no bidê ao lado da cama, deixa umas instruções, fecha a porta por dentro e sai por uma janela que dá para o pátio, levando-a para um beco estreito que a conduz direto ao mar. Toc..toc…toc…e nada, Luarita assusta-se e força a porta, abrindo-a. Lê o bilhete escrito a lápis…

“ Dentes de flores, coifa de orvalho
mãos de erva, tu, amável nutriz,
prepara-me os lençóis da terra
e a colcha de musgos capinados
Vou dormir, ama de leite,
Deita-me, põe uma lâmpada na minha
cabeceira,
uma constelação qualquer;
todas são boas; inclina a luz um pouco.
Deixa-me só: ouve brotar os ramos
lá do alto do céu um pé te embala…
e um pássaro desenha teus compassos
para que esqueças…Gracias.Ah um recado:
se ele chamar novamente ao telefone
diga-lhe que não insista, que me fui.” 13

Contratei os mais exóticos cardumes para escurecerem as águas marinhas do meu futuro leito. O rosto que vesti, era de ostras, feito especialmente para a rede dos pescados que flutua na espuma da maré vazante. Não me opus a nada, enquanto dormia, desabotoei a minha nudez, ofertando-a para os curiosos olhares dos peixes.

Alfonsina Storni nasceu em 29 de maio de 1892 em Capriasca na Suiça e na cinzenta tarde de 25 de outubro de 1938, foi vista pela última vez, caminhando em direção ao mar…

“(…) Eu ouvia. Eram vozes de gente, não vozes claras, mas sim secretas, como se murmurassem alguma coisa para mim, ao passar, ou como se zumbissem aos meus ouvidos…” 14

NOTAS

1,2,3- Texto de abertura extraído livro “ Pedro Páramo” de Juan Rulfo. Altos da p. 12
inclusive (…) Senti que o povoado vivia
4- Soneto “ Mors – amor “ de Antero de Quental, escrito em 1877, dedicado a Luis de Magalhães. Antologia da Poesia Portuguesa- Volume II- Século 17 e 20 de Alexandre Pinheiro Torres, p. 1019. Editado pela Porto Lello e irmãos editores.1997.
5- Excerto do soneto “ Quase “de Mário de Sá Carneiro, p. 14 do livro” Dispersão”,
Paris, maio de 1913.
6- Fragmentos da última carta de Mario de Sá Carneiro para Fernando Pessoa, em 04 de abril de 1916. Parte do acervo de sua correspondência com Fernando Pessoa.
7- Trechos da carta de Fernando Pessoa para Mário de Sá Carneiro, em 14 de março de 1916. Está entre as várias missivas do poeta para os seus amigos e escritores, entre eles: O mágico inglês, astrólogo e ocultista Aleister Crowley, Mário Beirão, Álvaro Pinto.
8- Primeiro quarteto e último terceto do soneto” Errante “, de Florbela Espanca, p. 17 do livro” A Mensageira das Violetas”- Editado pela LPM em 1997.
9-Fragmentos poéticos e passagens biográficas pesquisadas no livro Maiakoviski- Vida e Obra-,de Fernando Peixoto, José Álvaro Editor, 1969.
10-Peregrinação, de Alejandra Pizarnik, tradução do poema” Peregrinage” dedicado à Elizabeth Azcona Cranwell, p. 16 do livro “Las Aventuras Perdidas”,1958.
11-Todas as amostragens e o poema de Ana Cristina Cesar foram consultados nos livros” Inéditos e Dispersos -Poesia/Prosa da Editora Brasiliense, 1985, com organização e apresentação de Armando Freitas Filho e na sua obra “ A teus pés” Prosa/Poesia, publicada pela autora com o seu imaginário selo “ Cantadas Literárias”, 1982.
12- O poema “Auge” de Sylvia Plath, encerra o livro Sylvia Plath POEMAS, edição Iluminuras,1991, organização e tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. Outras consultas no livro “ Ariel”,traduzido por Cristina Macedo e Rodrigo G. Lopes, Versus Editora,2004.
13- O último poema de Alfonsina Storni, inédito em livro, serviu de réquiem inspirador para Félix Luna e Ariel Ramirez comporem o clássico “ Alfonsina del mar”, celebrizada por Plácido Domingos, Mercedes Sosa, José Carreras e outros.
14- Fragmento final extraído do livro” Pedro Páramo “de Juan Rulfo, p. 76, “Coleção Paz e Terra”, tradução de Eliane Zagury, 1997.
Trilhas sonoras para mergulhar no “Reino de Hades”: Entrada- CD –Drácula de Bram Stoker’s- música composta pelo polonês: Wojciech Kilar.CD-The Lord of the Rings-Composição ,orquestração e condução por Howard Shore. CD- Imortal Beloved- pela London Symphony Orchestra, com a regência de Sir Georg Solti, executando árias sinfônicas e óperas de Ludwig Van Beethoven (1770-1827). CD- Mission de Ennio Morricone por ele mesmo e o retorno triunfal pela sublime melodia de Georg Friedrich Haendel ( 1685-1759) Aleluia ( do Messias).Todas alternadas em incessantes sessões. ´

ÉLVIO VARGAS (1951)
Nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil. Publicou dois livros de poesias, organizou vários e participou em mais de vinte antologias, inclusive em Berlim e na Sicília.
Tem várias premiações em concursos literários

Visite o seu site: http://assisbrasil.org/joao/elvio.htm

Este ensaio é parte integrante do livro “ Arca de Impurezas”, editado pela Território das Artes em dezembro de 2008. Organizadora Liana Timm.

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TRANSITÓRIO

Amanheço com a chuva
dos anos da memória
e nada exaure mais
que este gosto de sal

E quanto queria
amanhecer longe
destes páramos
e perder com justeza
e sorrir com a vida
mas nada transporta
ou redime
os amigos mortos

A vida dói na alma
como uma tina de fel
e guardamos o segredo
de continuar vivos
para incrível surpresa
dos que comandam a vida

Luiz de Miranda (1945)
Nasceu em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, Brasil. Já com mais de quarenta anos de carreira literária, o poeta tem vinte e sete livros publicados num total de páginas que impressiona pelo volume, sem, contudo, comprometer negativamente o conteúdo e a qualidade. Recebeu vários prêmios no Brasil e no exterior. Pertence à Academia Rio-Grandense de Letras e à Academia Sul-Brasileira de Letras.

Visite o site do poeta:
http://orbita.starmedia.com/~poetamiranda/

UM POEMA DE JEANETE ECKER KOHLER

de ponta a ponta
o sol invasor
da ante sala
às minhas rugas
acusador

Jeanete Ecker Kohler – Nasceu em Encantado, Rio Grande do Sul, Brasil. Publicou: O mar e eu (2008). Dedica-se à poesia, especialmente a visual, a literatura, a fotografia. Exposição Individual: – Poesia Visual – Câmara Municipal – 2007 – Calçadas – Câmara Municipal – 2006 Exposição Coletiva: – Centro Cultural Brasil – Espanha. Premiações em Poesia Visual. Participação em coletâneas com poesias e contos.

PROJETÁVEIS: Convocatória para artistas da BIENAL DO MERCOSUL

7ª Bienal do Mercosul: Grito e Escuta

Convocatória aberta a artistas para

PROJETÁVEIS/ PROYECTABLES/ PROJECTABLES

Convidamos a artistas de todo o mundo a apresentar projetos para a mostra Projetáveis, uma das sete exposições da 7ª Bienal do Mercosul, que acontece no Santander Cultural em Porto Alegre / Brasil, entre os dias 16 de outubro e 29 de novembro de 2009. A exposição será apresentada no Santander Cultural, instituição que patrocina a Bienal do Mercosul e atua na área da cultura contemporânea, das artes visuais, da música, do cinema, da educação e da reflexão. O Santander Cultural apóia ativamente a 7ª Bienal, cujas bases estão em sintonia com a sua prática de integrar e difundir a diversidade de linguagens e de conteúdos artístico-culturais.
As inscrições estarão abertas de 22 de maio a 10 de julho de 2009. O regulamento e as bases de inscrição podem ser consultados no website http://www.bienalmercosul.art.br/projetaveis.
Esta seção da 7ª Bienal, concebida pelo curador adjunto e artista Roberto Jacoby, se propõe a explorar a materialização e localização específica dos projetos que utilizam a WWW como canal além das fronteiras geográficas ou de suportes finais.
Os Projetáveis são peças bytes + atoms, formas híbridas que viajarão pela internet para serem “baixadas” ou transmitidas em tempo real, via streaming, para em seguida integrarem a exposição na 7ª Bienal do Mercosul.
Os projetos apresentados podem ser visuais (fotografias, imagens, slide shows, sombras, vídeos, filmes de curta, media ou longa metragem, animações, vídeo-instalações, flashes), sonoros ou performáticos (VJ e DJ, performances, conferências), ou outros meios (páginas web e jogos interativos), etc.
Os projetos devem ser “projetáveis” em monitores, telas ou objetos, em contextos específicos concebidos como parte do projeto.
Devem ser projetos que possam andar pelo mundo sem bagagem, para em seguida adquirir sua forma local definitiva, a serem instalados dentro ou no entorno do Santander Cultural.
O termo “projeto” (projetar, projeção, projétil) impregna o discurso contemporâneo. Sua etimologia estrita, “atirar à distância, lançar longe, arremessar”, ilumina um vasto campo de significados e sentidos que vão orientar as propostas, que por sua vez devem:
· Planejar, figurar, imaginar, desenhar, conceber uma idéia, estimar um futuro;
· Transferir de um domínio a outro, atribuir a alguém as características de outro, estender no espaço, no tempo e na sociedade;
· Representar um corpo em um plano, mapear;
· Irradiar um sentimento, fazer-se ouvir, comunicar vivamente, dar-se a conhecer;
· Refletir uma imagem sobre uma superfície, enviar raios de luz sobre algo, tornar visível a uma figura pela luz.

Mais informações sobre a 7ª Bienal do Mercosul no website http://www.bienalmercosul.art.br e pelo email projetaveis@bienalmercosul.art.br.

Published in: on junho 27, 2009 at 2:16 am  Deixe um comentário  
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VOZES POÉTICAS – SARAU POÉTICO-MUSICAL

CONVITE

A Casa de Cultura Mario Quintana convida para o segundo espetáculo do projeto VOZES POÉTICAS DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA E IBERO-AMERICANOS, idealizado e coordenado pelo poeta e pesquisador Paulo Bacedônio.
O projeto compreende uma série de cinco espetáculos bimensais, sendo este o segundo, temático sobre a Poesia Brasileira, com a leitura de poemas de poetas clássicos e contemporâneos de vários Estados do Brasil.
Simultaneamente à sessão de leitura será apresentada a Mostra Nacional de Poesia Visual, com obras de mais de vinte poetas visuais brasileiros.
O segundo espetáculo tem como convidados especiais a poetisa Floreny Ribeiro e o violonista Carlos Bica, que executará obras de H. Villa-Lobos.
Destaca-se ainda que será editado especialmente para este espetáculo o livro de bolso, Sete poetas brasileiros, em uma edição semi-artesanal e numerada, e que será sorteada para o público.

Os próximos espetáculos apresentarão a Poesia de Portugal, dos países africanos de Língua Portuguesa, do Timor Leste, da Espanha e dos países da América Latina.

O QUÊ: Segundo espetáculo do projeto VOZES POÉTICAS DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA E IBERO-AMERICANOS
QUANDO: Quinta-feira, 18 de Junho de 2009, às 19horas
ONDE: Quintana’s Bar / Acervo Mario Quintana – mezanino
Casa de Cultura Mario Quintana
Rua dos Andradas, 736
Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil

ENTRADA FRANCA

Apoio: Instituto Cultural Português, Revista Literária Paralelo 30 e Casa do Poeta Latino-Americano

SARAU COM RITMO EM HOMENAGEM A CAMÕES

CAMÕES

Nascido por volta de 1524 de uma família da pequena nobreza, Luís Vaz de Camões recebeu uma educação esmerada, tendo provavelmente cursado Artes em Coimbra. Quando jovem, freqüentou círculos aristocráticos e a boêmia literária de Lisboa. Entretanto, optou pela carreira das armas e combateu no Marrocos, onde perdeu um olho em combate. Em 1550 alistou-se para a Índia, mas não chegou a embarcar. Morreu em 1580 e seu enterro foi pago por uma instituição de caridade, a Companhia dos Cortesãos.
Sua obra se coloca entre as mais importantes da literatura ocidental. Luís de Camões é considerado o poeta português mais completo de sua época, ou até mesmo de toda a literatura de língua portuguesa. Camões manipulou todos os recursos da língua portuguesa, ampliando enormemente seu campo de expressão. Na obra de Camões, a língua portuguesa passou a expressar sentimentos, sensações, fatos e idéias de uma forma que até então não fora alcançada por ninguém. Sua posição de destaque entre os poetas portugueses de seu tempo é devida também ao fato de em sua obra estarem presentes tanto o humanismo como a expansão ultramarina, isto é, os dois elementos que caracterizaram o Renascimento português. Tornou-se célebre não somente por ter escrito Os Lusíadas, longo poema épico que reflete toda a história e cultura de Portugal até a data em que o poema foi composto, mas também por sua obra lírica, constituída por vários tipos de poemas, entre os quais os mais famosos são certamente os sonetos.

SONETO

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
______________________________

SARAU COM RITMO
Dia: 10/06 (quarta-feira)
Horário: 19:30h
Onde: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo – Sala de pesquisa (Rua dos Andradas, 1223, 2º andar) – Porto Alegre/RS – Brasil
Entrada Franca
Apresentação: Benedito Saldanha
Música: Carlos Steil
Promoção: Academia de Letras e Artes P. Alegre e Centro Cultural CEEE Erico Verissimo

MARIANA

esses teus olhos me chegam
de um tempo muito antigo

por onde fugiram os rios

e as primeiras aves
nos beirais da casa

me chegam dessa casa
com a mobília nova
a lenha ainda acesa
e o pão
tão seco
das catedrais

ah
nesses teus olhos vejo
cidades inteiras se arrastando

mulheres que não se cumpriram
sob as vestes
e ruas
ruas que se perderam nas enchentes

sim
por teus olhos
ajoelharam-se as florestas
dormiram ilhas
palácios inteiros se curvaram

tudo
por teus olhos

manhã de outono e festa
em que adormeço

Iacyr Anderson Freitas (1963)
Nasceu em Patrocínio do Muriaé, Estado de Minas Gerais, Brasil. Poeta, ensaísta, contista, engenheiro civil e mestre em Teoria da Literatura. Publicou 13 livros de poesia e três de ensaio literário, mereceu vários prêmios e sua obra vem sendo traduzida a outros idiomas.

2º JOGOS FLORAIS DO SÉCULO XXI

2º JOGOS FLORAIS DO SÉCULO XXI

Concurso Literário

Em momentos de reativação dos caminhos de integração socioeconômica dos povos, empreendemos o nobre objetivo de revalorizar a palavra poética como forma de delinear ideias e construir realidades.
Propomos que o conceito seja uma resposta à impessoalidade da globalização, cimentado nas diferenças próprias de cada cultura, valorizando e fortalecendo identidades a partir do laço fundamental da linguagem, que é tronco e raiz pela qual floresce a humanidade.
Por esse motivo, a aBrace Editora e o Movimento Cultural aBrace convocam a um CONCURSO INTERNACIONAL LITERÁRIO DE POESIA em português com tema livre, sustentado no seguinte fundamento: Trânsito poético para a liberação definitiva.

OBJETIVO:
Este concurso terá por objetivo promover a atividade literária e o idioma português, bem como valorizar a criatividade e integrar poetas dos países de língua portuguesa.

PARTICIPAÇÃO:
1.-Poderão participar todas as pessoas de qualquer lugar de residência com um único trabalho de poesia ou prosa poética, em língua portuguesa, de caráter inédito, tema livre, com no máximo 25 linhas.
2.- Por razões de organização e confiança na solidariedade entre criadores, lema do Movimento Cultural aBrace, quando o verdadeiro valor desta convocação é a difusão da palavra poética. Considerando a internacionalização do concurso, os custos de realização e as técnicas atuais em material de comunicação, somente receberemos inscrições via e-mail: abracept@abracecultura.com, até 31 de agosto de 2009, com as seguintes características:
a) No campo assunto: 2º JOGOS FLORAIS DO SÉCULO XXI;
b) Os participantes deverão anexar 2 arquivos de Word 9
2003. O primeiro deve incluir arquivo em Word (anexo) com o poema digitado (fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12 — entre linhas 1,5), título e pseudônimo.
c) O segundo deve incluir arquivo em Word (anexo) com o título do trabalho com o mesmo pseudônimo, nome completo do participante, fotografia, pequeno curriculum (até 10 linhas), endereço residencial e e-mail.
d) A aBrace editora se compromete a enviar aos pré-selecionados e jurados somente os arquivos com poemas e pseudônimos, reservando os de documentação somente para identificar os selecionados e premiados. Não acusaremos recibo de e-mail. Sugerimos que cada participante solicite recibo de leitura automática.
O não cumprimento das orientações implicará na desclassificação do trabalho.

SELEÇÂO:
1- Trinta trabalhos serão pré-selecionados por uma comissão integrada por um representante da editora e dois representantes do Movimento Cultural aBrace. Serão critérios para o julgamento: criatividade, correção linguística, originalidade e relação direta com o fundamento do concurso.
2- Posteriormente os trabalhos serão entregues a uma comissão julgadora internacional composta por três destacados membros do meio literário, que procederá à seleção dos melhores trabalhos entre os pré-selecionados. Não caberá recurso às decisões da comissão julgadora. Os nomes dos integrantes do Corpo de Jurados serão divulgados juntamente com o resultado do concurso. É vetada a participação de membros das comissões organizadora e julgadora, de profissionais a serviço das entidades que dão apoio ao concurso ou nelas empregados, bem como de familiares até o terceiro grau de parentesco de todos os incluídos no veto à participação.
3- A comissão julgadora escolherá o 1º, o 2º e o 3º prêmios e as menções honrosas.
4- Os autores publicados na coletânea, produto final do concurso, cedem os respectivos direitos autorais, quanto à exposição e publicação, nos prazos e condições legais que passam a pertencer à aBrace Editora e concordam em permitir a utilização de seus nomes, fotografias ou filmagem, para a divulgação do prêmio, sem qualquer ônus para os promotores, exceto com declaração assinada.
5- Cada concorrente somente poderá participar com um trabalho e não haverá devolução do material inscrito.
6- Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela comissão julgadora e/ou pelos organizadores do concurso. A inscrição implicará, por parte do concorrente, a aceitação dos termos deste regulamento.

PRÊMIOS:
Caberá aos contemplados a seguinte premiação:
a) 1º, 2º e 3º colocados receberão: troféus, coleção de livros da aBrace Editora e certificado;
b) Menções : coleção de livros e certificado;
c) Restante dos selecionados: certificado.
d) Publicação a cargo da aBrace editora, sem ônus para os autores de todos os textos selecionados, encabeçados com os ganhadores e menções, de um poemário intitulado: 2º JOGOS FLORAIS DO SECULO XXI. Paralelamente a esta convocação se realiza a mesma em língua espanhola. O livro, motivo deste concurso, publicará também, de forma intercalada, os textos premiados e selecionados em espanhol, para efeito de uma maior integração.
e) O poemário 2º JOGOS FLORAIS DO SECULO XXI, será apresentado em ato a programar e exibido em todas as oportunidades em que aBrace em MOVIMENTO seja convidado a participar como expositor da cultura.

Informações:
Nina Reis
e-mail: abracept@abracecultura.com

Published in: on junho 2, 2009 at 12:20 am  Deixe um comentário  
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