AR DE INVERNO

Aves do mar, que em ronda lenta
Giram no ar, à ventania,
Gritam na tarde macilenta
A sua bárbara alegria.

Incha lá fora a vaga escura,
Uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
Este ar de Inverno, este ar doente?

Alma que vogas a gemer
Na tarde anémica de vento,
Como se infiltra no meu ser
O teu esparso sofrimento!

Que viuvez desamparada
Chora no ar, no vento frio,
Por esta tarde macerada
Em que a esp’rança se esvaiu.

Roberto de Mesquita (1871-1923)
Nasceu a 19 de Junho de 1871 em Santa Cruz, Arquipélago dos Açores, Portugal. Estudou na ilha natal, na Terceira e no Faial. Foi funcionário da Fazenda Pública, onde chegou a escrivão. Publicou alguns poemas em revistas da época onde os simbolistas pontificavam: Os Novos, Ave Azul. Mas a sua maior colaboração foi em jornais insulares. Faleceu a 31 de Dezembro de 1923. Obra poética: Almas cativas (1931).

Published in: on novembro 17, 2009 at 10:22 pm  Deixe um comentário  
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