“FERA” DO LIVRO

Goethe. Passo.
Kant, quem sabe.
Perambulo atônito pelos clássicos.
No fim, levo O Pequeno Príncipe.
A criança que vive em mim
Reinventa, todos os anos,
Seu eterno reinado.

ALEXANDRE LETTNER
Poeta, compositor e músico. Foi baixista, nos anos 1990, das bandas de rock Plataforma Ocidente, Os Laras, Arraia Miúda e Tape Deck. Participou, em novembro de 2007,
do projeto 24 Horas de Poesia. Participou do 10° Festival de Música de Porto Alegre. Em 2008 participou do Concurso Cantigário de Letras de Música e Textos de MPB.
Em 2010 publicou juntamente com o poeta Elroucian Motta o livro Sem palavras.

Anúncios

ODE AO AMOR

sou Penélope, a espera de Odisseu.
teço poemas em verso e em prosa
aguardando sua chegada.
Deus Posido, desta vez, não preparará cilada alguma,
tampouco tirar-lhe-á a vista.
não precisarei destecer poemas, nossa coberta de noivado.
Odisseu sabe que lhe preparo uma festa de chegada.
Palas Atenas, filha de Zeus,
– o Senhor do Olimpo –
está ao lado de Odisseu. Protege-lhe.
sou Penélope, a espera de Odisseu.
o guerreiro de além-mar já não será atado ao mastro,
porque não ouvirá o canto das sereias.
nem Ciclopes temerá.
Palas Atenas, filha de Zeus,
enquanto Odisseu não chega, vela meu sono.
(que Homero perdoe meu plágio)

Neli Germano

Published in: on janeiro 20, 2010 at 6:55 pm  Deixe um comentário  
Tags: , ,

NEM MAIS, NEM MENOS

Amar-te mais – fora loucura,
Amar-te menos – impossível.

E tanto amar-te,
Amar-te assim
Deus só concede
Na terra a mim.

Se perto de ti contemplo
O brilho dos olhos teus,
Qual cego que a recupera,
À luz deslumbram-se os meus.

Se de mais perto os contemplara,
Ícaro novo, no chão tombara:
Amar-te mais fora loucura.

Debalde fujo
Ao teu amor
A um teu olhar
Perco o valor.

O teu poder é invencível,
Amar-te menos – é impossível.

Arthur Candal (1857-1924)
Nasceu em Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Funcionário público desde 1878, exerceu um grande número de cargos públicos. Foi também professor em vários colégios da Capital. Desenvolveu atividades como jornalista, tendo sido redator-chefe de A República, em 1894, e redator de Atualidade, em 1911. Foi sócio da Sociedade Parthenon Litterário, fundada em 1868. Deixou ainda algumas poesias nas páginas dos jornais de Porto Alegre. Obras: Musa ligeira, poesias, inédito; Gramática alemã, filologia, inédita; Origem da língua portuguesa, estudo-tese, inédito; A partícula se, inédito; A pecadora, conto, Revista Mensal do Partenon Literário, n° 7, 1877.

Published in: on setembro 19, 2009 at 1:00 am  Deixe um comentário  
Tags: , , ,

MANIFESTO CONTRA TODA A LUCIDEZ

Não Vou deixar de voar,
Por causa do granito ou do concreto,
Dos mísseis, das ruínas desoladas…

Não vou tirar meus pés do ar,
Só pra pousar nesse Deserto,
Só pra ver minhas Asas alquebradas…

Não vou deixar de voar,
Só por causa do que afirma a Lucidez,
Eu venero as alturas…!!!

Não vou tirar meus pés do ar,
Só pra concordar com a Sensatez,
Que essas noites todas são escuras…

Não vou deixar de voar,
Só pelo que julgam certo, normal e correto,
Só porque existe Alguém pra me julgar…

Não vou tirar meus pés do ar,
Porque não acredito na Certeza do reto,
Sei que e o céu é meu lugar…

Não vou deixar de voar,
Porque, lá embaixo, sou presa,
Porque, aqui, em cima, sou fera…

Não vou tirar meus pés do ar,
Porque não acredito em certezas,
Porque ressuscito quimeras…

Angelita Soares (1965)
Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. É formada em Letras, pela FAPA e pós-graduada, pela Unilasalle, em Leitura e Produção Textual. Recebeu várias premiações em concursos literários. Pertence à Academia de Artes e Letras de Porto Alegre. Atua como catequista, na Paróquia Santíssima Trindade, pois acredita na formação moral, intelectual e espiritual das crianças e adolescentes, como vias de acesso a um mundo melhor. Está escrevendo dois novos romances: O Despertar das Profecias e A Neve do Averno.

Published in: on setembro 19, 2009 at 12:47 am  Deixe um comentário  
Tags: , , ,

Um poema de Paulo Roberto do Carmo

ANDAR COM AS PALAVRAS

Andar com as palavras
é romper o ventre das horas:
em gotas de sangue dar-se à luz
ganhando caminho, para fora,
abrir o espaço, afrontando a solidão.

Andar com as palavras
é regressar à pátria de geografias futuras:
da árvore da alegria comer os frutos,
abrir suas peles de sonho, lambuzar-se nos sumos,
caminhar confiante rumo à aldeia dos homens.

Andar com as palavras
é cantar em si a mais alta febre do desejo
e cair e levantar sobre serpentes e culpas,
sempre para diante, sem trégua, com ufania,
e mesmo rastejar até que asas brotem dessa dor.

Paulo Roberto do Carmo nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1941. É poeta, professor e tradutor. Tem participado de diversas antologias coletivas no Brasil e em Portugal.
Recebeu o Prêmio Nacional de Poesia Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional, em 2000. Finalista do Prêmio Açorianos, cidade de Porto Alegre.
Diz o poeta: “Escrevo porque não posso esconder o sol dentro da alma, nem a palavra calada. Escrevo porque entre o homem que colhe e o que semeia, há um homem que sonha o peixe, o pão, o vinho, os alimentos coletivos da alegria, da liberdade, da justiça, a arte de tornar-se humano mudando não apenas a aldeia, mas a mim mesmo. Essa obsessão de libertar a alegria que se aprisiona dentro das palavras, é para aprender a exumar-me de minhas cotidianas mortes.”

Site pessoal:
http://www.paulorobertodocarmo.com/