3ª FEIRA DO LIVRO DA SOCIEDADE PARTENON LITERÁRIO – SETEMBRO – 2011

A Sociedade Partenon Literário em parceria com o Jornal RSLetras promove no dia 10 de setembro, na sede administrativa a 3ª edição da Feira do Livro, com venda de livros, bate-papo com autores e momentos de poesia.

PROGRAMAÇÃO

14h – Vozes Poéticas Ibero-Americanas: Portugal e Venezuela
Leitura de poesias com Paulo Bacedônio, ativista cultural e poeta.

15h – Bate-papo com o autor
Vilson Santanense, lançando o livro de poesias “Indiferença”.

15h – Bate-papo com o autor
Eny Allgayer, lançando o livro “Ciranda Negra”.

16h – Homenagem especial

QUANDO
10 de setembro de 2011, Sábado, das 14 às 17hs

ONDE
Sede administrativa da Sociedade Partenon Literário
Rua Plácido de Castro, 154,
Bairro Azenha – Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil

Prezado sócio, participe da Feira do Livro na Sede, mais uma iniciativa do Partenon Literário.

DIVULGAÇÃO PARA IMPRENSA E ENTREVISTAS
Benedito Saldanha
Presidente Partenon Literário
Fone 8564-5281
E-mail: expressoletras@yahoo.com.br

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SONETO

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524 ou 1525-1580)
1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa, Portugal.
1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar.
1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros.
1551: Regressa a Lisboa.
1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso.
1553: É libertado; embarca para o Oriente.
1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses.
1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja.
1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido.
1567: Segue para Moçambique.
1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara.
1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas.
1580: Morre de peste, em Lisboa.

SONETO

Leandro em noite escura ia rompendo
As altas ondas, delas rodeado
No meio do Helesponto, já cansado,
E o fogo já na torre morto vendo;

E vendo cada vez ir mais crescendo
O bravo vento, e o mar mais levantado;
De suas forças já desconfiado,
Os rogos quis provar, não lhe valendo.

“Ai ondas!” (suspirando começou):
mas delas, sem lhe mais alento dar,
a fala contrastada, atrás tornou.

“Ai ondas!” (outra vez diz) vento, mar,
Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
Afogai-me depois quando tornar”.

DIOGO BERNARDES (1520-1605)
Nasceu em Ponte do Lima, Portugal. Tendo acompanhado el-rei D. Sebastião a África, como cantor oficial da expedição, por ocasião do desbaratamento do exército português, ficou cativo dos mouros, pelo espaço de cinco anos. Escreveu: O Lima, que contém as suas éclogas e cartas; Várias rimas ao bom Jesus, poesias de caráter religioso; e Flores do Lima, onde se encontram os seus sonetos, canções, elegias e cantigas.

O COLCHÃO DENTRO DO TOUCADO

Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo, e de pena,
A filha o ponha ali, ou a criada.

A filha, moça esbelta e aparatada,
Lhe diz co’a doce voz, que o ar serena:
“Sumiu-se-lhe um colchão, é forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada”.

“Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que por ter pai embarcado
Já a mãe não tem mãos?” E dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado;
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.

Nicolau Tolentino (1740-1811)
Nasceu em Lisboa, Portugal. Em Outubro de 1760 ingressou na Faculdade de Direito, de onde saiu talvez devido à morte da mãe, que lhe trouxe pesados encargos domésticos. Em 1765 foi despachado para Évora como mestre substituto, e logo depois, por influência de amigos, transferiu-se para Lisboa. Em 1769, completa o curso de Direito em Coimbra e é nomeado oficial ordinário da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino. Aos sessenta e seis anos, por ocasião da invasão francesa, assiste desolado à partida da Corte e dos amigos para o Brasil. A primeira edição de suas obras, em dois tomos, saiu em 1801, com o título: Obras poéticas de Nicolau Tolentino de Almeida.

ODE ANACREÔNTICA

A Ulina

Vou contar-te, bela Ulina,
Minha sonhada ventura,
Que não bastou ser sonhada,
Também foi de pouca dura.

Sonhei que Amor te ferira
Com seu dourado farpão;
E te guiara a meus braços,
Pela sua própria mão.

Que, os lindos olhos erguendo,
Em mim maviosa os fitavas;
E que apertando-me ao peito
De ternura suspiravas.

Então cuidei ver a terra
Toda vestir-se de flores,
E minha glória aplaudirem
Os alígeros cantores.

Cuidei que nuvem de aromas
Em torno a nós se espessava,
Como a que Jove, no Ida,
De Juno em braços, fechava.

Mas quando em teus róseos lábios
Faminto beijo imprimia,
Forte argolada na porta,
O sono me interrompia.

Antes do que esse importuno,
A morte houvera de ser,
Fora feliz pois morrera
Nos êxtases do prazer.

Costa e Silva, de nome completo José Maria da Costa e Silva (1788-1854)
Nasceu em Lisboa, Portugal. Poeta, crítico, dramaturgo, tradutor. Depois de estudos clássicos, que levou muito a sério, e que posteriormente prosseguiu com entusiasmo, entrou para o funcionalismo público, chegando a ser diretor de secretaria e escrivão da Câmara Municipal de Lisboa. Grande estudioso da literatura antiga e moderna, teve o mérito de, em Portugal, ser um dos primeiros que chamaram a atenção para os poetas ingleses e alemães, numa época em que só eram considerados modelos os autores da antigüidade. Escreveu, entre outras, as seguintes obras: O passeio, poema descritivo; Poesias, em três volumes; D. Sebastião; D. João de Castro, peças teatrais.

Published in: on setembro 19, 2009 at 12:52 am  Deixe um comentário  
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OS QUE VINHAM DA DOR

Os que vinham da Dor tinham nos olhos
estampadas verdades crudelíssimas.
Tudo que era difícil era fácil
aos que vinham da Dor diretamente.

A flor só era bela na raiz,
o Mar só era belo nos naufrágios,
as mãos só eram belas se enrugadas,
aos olhos sabedores e vividos
dos que vinham da Dor diretamente.

Os que vinham da Dor diretamente
eram nobres demais pr’a desprezar-vos,
Mar azul!, mãos de lírio!, lírios puros!
Mas nos seus olhos graves só cabiam
as verdades humanas crudelíssimas
que traziam da Dor diretamente.

Sebastião da Gama (1924-1952)
Nasceu a 10 de Abril de 1924, em Vila Nogueira de Azeitão, Portugal, tendo falecido em Lisboa, a 7 de Fevereiro de 1952. Obras poéticas: Serra-Mãe (1945); Cabo da Boa Esperança (1947); Campo aberto (1950); Pelo sonho é que vamos (1953), póstumo.

Francisco Germano Dee, poeta do Arquipélago da Madeira

A UMA DAMA

(Imitado de Victor Hugo)

Donzella, s’eu fôra rei,
oh! de bom grado daria
toda a rica pedraria,
de valor… que nem eu sei!…
E nem só joias, e oiro,
mas outro maior thesoiro:
meu septro e c’roa de rei
por um só olhar dos teus!…
Se rei não fôra, mas Deus,
daria os mares, e a terra,
e os milhões d’astros que encerra
o amplo espaço dos céos;
os sons do mar gemebundo,
a eternidade e o mundo,
tudo, tudo te daria
por um só beijo dos teus!…

Francisco Germano Dee, pseudônimo de Germano Francisco de Barros Henriques (1805-1856)
Nasceu no Estreito de Câmara de Lobos, Arquipélago da Madeira. Poeta, escrivão, professor público. Distinguiu-se ainda como poliglota, falando corretamente latim, francês, inglês e espanhol. Seguiu a escola literária de Filinto Elísio. Faleceu em 1856, vítima de uma epidemia de cólera. Escreveu um livro intitulado “Lições de arte poética” e colaborou em “A Discussão” e no “Novo Almanaque Luso-Brasileiro”.

Published in: on abril 15, 2009 at 6:46 am  Deixe um comentário  
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Alexandre Herculano

DEUS

Nas horas de silêncio, à meia-noite,
Eu louvarei o Eterno!
Ouçam-me a terra, e os mares rugidores,
E os abismos do Inferno.
Pela amplidão dos céus meus cantos soem,
E a Lua resplendente
Pare em seu giro, ao ressoar nest’harpa
O hino do Omnipotente.

Antes de tempo haver, quando o infinito
Media a eternidade,
E só do vácuo as solidões enchia
De Deus a imensidade,
Ele existia, em sua essência envolto,
E fora dele o nada:
No seio do Criador a vida do homem
Estava ainda guardada;
Ainda então do mundo os fundamentos
Na mente se escondiam
De Jeová, e os astros fulgurantes
Nos céus não se volviam.

Eis o Tempo, o Universo, o Movimento
Das mãos solta o Senhor.
Surge o Sol, banha a Terra, desabrocha
Nesta a primeira flor;
Sobre o invisível eixo range o globo;
O vento o bosque ondeia;
Retumba ao longe o mar; da vida a força
A natureza anseia!

Quem, dignamente, ó Deus, há-de louvar-Te,
Ou cantar Teu poder?
Quem dirá de Teu braço as maravilhas,
Fonte de todo o ser,
No dia da Criação; quando os tesouros
Da neve amontoaste;
Quando da Terra nos mais fundos vales
As águas encerraste?!

E eu onde estava. quando o Eterno os mundos,
Com dextra poderosa,
Fez, por lei imutável, se livrassem
Na mole ponderosa?
Onde existia então? No tipo imenso
Das gerações futuras;
Na mente do meu Deus. Louvor a Ele
Na Terra e nas alturas!
Oh, quanto é grande o rei das tempestades,
Do raio, e do trovão!
Quão grande o Deus, que manda, em seco estio,
Da tarde a viração!
Por Sua providência nunca, embalde,
Zumbiu mínimo insecto;
Nem volveu o elefante, em campo estéril,
Os olhos inquieto.
Não deu Ele à avezinha o grão da espiga,
Que ao ceifador esquece:
Do norte ao urso o sol da Primavera,
Que o reanima e aquece?
Não deu Ele à gazela amplos desertos,
Ao certo a amena selva,
Ao flamingo os pauis, ao tigre o antro,
No prado ao touro a relva?
Não mandou Ele ao mundo, em luto e trevas,
Consolação e luz?
Acaso em vão algum desventurado
Curvou-se aos pés da Cruz?
A quem não ouve Deus? Somente ao ímpio
No dia da aflição,
Quando pesa sobre ele, por seus crimes.
Do crime a punição.

Homem, ente imortal, que és tu perante
A face do Senhor?
És a junça do brejo, harpa quebrada
Nas mãos do trovador!
Olha o velho pinheiro, campeando
Entre as neves alpinas:
Quem irá derribar o rei dos bosques
Do trono das colinas?
Ninguém! Mas ai do abeto, se o seu dia
Extremo Deus mandou!
Lá correu o aquilão: fundas raízes
Aos ares lhe assoprou.
Soberbo, sem temor, saiu na margem
Do caudaloso Nilo,
O corpo monstruoso ao sol voltando,
Medonho crocodilo.
De seus dentes em roda o susto habita:
Vê-se a morte assentada
Dentro em sua garganta, se descerra
A boca afogueada:
Qual duro arnês de intrépido guerreiro
É seu dorso escamoso;
Como os últimos ais de um moribundo
Seu grito lamentoso:
Fumo e fogo respira quando irado;
Porém, se Deus mandou,
Qual do norte impelida a nuvem passa,
Assim ele passou!

Teu nome ousei cantar! Perdoa, ó Nume;
Perdoa ao teu cantor!
Dignos de ti não são meus frouxos hinos,
Mas são hinos de amor.
Embora vis hipócritas te pintem
Qual bárbaro tirano:
Mentem, por dominar com férreo ceptro
O vulgo cego e insano.
Quem os crê é um ímpio! Recear-te
É maldizer-te, ó Deus;
É o trono dos déspotas da Terra
Ir colocar nos Céus.
Eu, por mim, passarei entre os abrolhos
Dos males da existência
Tranquilo, e sem temor, à sombra posto
Da Tua Providência.

Alexandre Herculano (1810-1877)
Nasceu em Lisboa. Poeta, romancista, historiador, político. Até aos 15 anos frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Néry, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica. Impedido de prosseguir os estudos universitários ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra. Como soldado, participou em ações de elevado risco e mérito militar. Foi nomeado por D. Pedro IV segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto, onde permanceu até ter sido convidado a dirigir a Revista Panorama. Em 1852, foi eleito para a Academia das Ciências de Lisboa. Em 1857, após o seu casamento, retirou-se definitivamente para a sua quinta de Vale de Lobos, em Santarém, para se dedicar à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual. Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal. Obras poéticas: A voz do profeta (1836); A harpa do crente (1838); Poesias (1850).

Published in: on abril 15, 2009 at 6:34 am  Deixe um comentário  
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Um poeta açoriano

ODE

Exulta, Faial, a fronte adorada
De cívicos lauréis; e desterrando
Do peito heróico, o teu inquieto susto
Honra e Congresso Augusto.

Oh! Teu triunfo eu vi; eu vi os monstros
Ranger de raiva os cariosos dentes:
De confusão ralados, dando gritos
Quais réprobos preceitos.

Eu vi no Santo Alcácer as Virtudes
Aplaudirem da Deusa os sãos Ministros
E o mesmo Tejo alçado sobre o leito
Tributar-lhe respeito.

Descansa em paz, ó Ilha venturosa;
Em paz disputa os bens que o céu outorga
E por memória eterna deste dia
Transborada de alegria.

António da Silveira Bulcão (1781- ? )
Nasceu na Vila da Madeira, ilha do Pico, Arquipélago dos Açores. Poeta, escrivão da Alfândega, advogado provisionado. Algumas das suas muitas produções poéticas foram publicadas nas revistas “Grémio Literário” e “História das quatro ilhas”.