BAILE DE MÁSCARAS, POEMA DE ALESSANDRA BOOS

BAILE DE MÁSCARAS

entre a face e a máscara
o vazio respira
e observa

por trás da persona risonha
– o sorriso que apodrece –
a desesperança da Columbina
a vergonha do Arlequim

plumas se agitam, lenços que caem

eu só queria
encurtar
o meu vazio
e o teu.

ALESSANDRA BOOS
Nasceu em Santa Catarina/SC. Poeta, contista, bióloga formada pela Universidade Federal do Paraná e professora de língua inglesa em Porto Alegre/RS. Publicou pelo projeto do SESC/SC Formação de Escritores. No momento, escreve nos blogs “A Metafísica do Beijo” e “Botequim Literário”.

VISÃO

Tanto brilhava a luz da lua clara,
Que para ti me fui encaminhando.
Murmurava o arvoredo, gotejando
Água fresca da chuva que estancara.

Longe de prata semeava a seara…
O teu castelo, à lua crepitando,
Como um solar de vidros formidando,
Vi-o como ardentíssima coivara.

Cantigas de cigarra na devesa…
E, pela noite muda, parecia
Cantar o coração da natureza.

Foi então que te vi, formosa, imagem,
Surgir entre roseiras, fria, fria,
Como um clarão da lua na folhagem.

Oscar Rosas (1864-1925)
Poeta simbolista nascido no Estado de Santa Catarina, Brasil. Dedicou-se ao comércio e depois ao jornalismo. Foi deputado estadual, diretor da Imprensa Oficial e funcionário da Inspetoria Federal das Estradas de Ferro. Deixou muitas produções esparsas em jornais da sua terra e do Rio de Janeiro. Um dos mais fiéis amigos de Cruz e Sousa. É patrono da cadeira n° 36 da Academia Catarinense de Letras.

O MAR

Que nostalgia vem das tuas vagas,
Ó velho mar! Ó lutador oceano!
Tu de saudades íntimas alagas
O mais profundo coração humano.

Sim! Do teu choro enorme e soberano,
Do teu gemer nas desoladas plagas,
Sai o quer que é, rude sultão ufano,
Que abre nos peitos verdadeiras chagas.

Ó mar! Ó mar! Embora esse eletrismo,
Tu tens em ti o gérmen do lirismo,
És um poeta lírico demais.

E eu para rir com bom humor das tuas
Nevroses colossais, bastam-me as luas
Quando fazem luzir os seus metais.

Cruz e Sousa (1861-1989)
De nome completo João da Cruz e Sousa. Nasceu na cidade do Desterro, hoje Florianópolis, no Estado de Santa Catarina, Brasil. Poeta simbolista. Entre as suas obras, destacam-se: Broquéis (1893); Faróis (1900); Últimos sonetos (1905).