CINZAS E BEBIDAS

Da sombra risonha eterna da esperança
Salpicam lavas gritantes de um vulcão
Da sombra negra e imorredoura da saudade
Brotam flores de um jardim esquecido

Do rastro longo da amargura perdida
Nasce um dia borbulhante de alegria
Do manheiroso e berrante apogeu do sol
Nasce o negror da noite que se avizinha

Da bruma calma, vacilante e enganadora
Reerguem-se castelos pálidos de tremor
No afã de rabiscar altitudes imensas

Do frescor rutilante do amanhecer
Jorram cinzas e bebidas do passado
Surgindo da beira do asfalto um perfil de mulher

Dimitri Pedrazzi