Carlos Ferreira, poeta porto-alegrense

IDÍLIO

Vamos, amor, por esses campos fora,
asas abrindo à doce luz da vida,
ouvir a terna, a meiga, a apetecida
canção que entoa a terra à deusa Aurora.

Vamos, que é tempo. A natureza inflora
montes, vales, vergéis, e embevecida
treme de amor a rosa. Ouves, querida,
a ave que canta? a viração que chora?

Vês? Que alegre manhã, Todo o arvoredo
tão fresco e bom! O alegre passaredo
enche a selva de mágico rumor…

Pois cantemos também, vamos risonhos
haurir a vida em turbilhões de sonhos,
asas abrindo ao quente sol do amor! . . .

Carlos Ferreira (1844-1913).
Poeta e jornalista porto-alegrense. Patrono da cadeira n° 7 da Academia Rio-Grandense de Letras.

Published in: on abril 15, 2009 at 6:53 am  Deixe um comentário  
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