DE QUE VALE O REINO

Exíguo é o corpo
onde instauro o poema

Devassada sinto-lhe a permanência
o salto frustrado
o verso em pânico

Ávidos
o matamos
na luta pela posse
onde inventamos as leis
e detemos o patrimônio

Nessa guerra
agressivos
geramos nossos filhos:
— A mão oclusa
acionando gatilhos

Da fera
visíveis se mostram os delitos
o oculto bote
os enigmas

Em vão forjei coisas maiores
e deixei o amor crescer
entre um verso e outro

Há trinta e nove anos
assisto os mesmos crimes
o silêncio crestando a fala

De que vale o reino
com seus pomos de usura
e a loucura dos gumes

De que vale o reino
e sua espada
o viço da bandeira
as honrarias
se poucos são os convivas
junto à mesa

César Pereira (1934)
Nasceu em Taquari, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Poeta, contista, cronista. Pertence à Academia Riograndense de Letras. Foi o lançador da Poesia Concreta no Rio Grande do Sul em 1958, e em 1965 da Poesia Visual, sendo um dos precursores no País. Conquistou em 1986, o 1º lugar no Concurso Nacional de Poesia PETROBRÁS, na época um dos maiores do Brasil. Publicou: Carrossel de cinzas (1960); Dardos de ajuste (1974); Porta de emergência (1989); Gaveta de achados (2008).

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