SONETO

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524 ou 1525-1580)
1524 ou 1525: Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa, Portugal.
1548: Desterro no Ribatejo; alista-se no Ultramar.
1549: Embarca para Ceuta; perde o olho direito numa escaramuça contra os Mouros.
1551: Regressa a Lisboa.
1552: Numa briga, fere um funcionário da Cavalariça Real e é preso.
1553: É libertado; embarca para o Oriente.
1554: Parte de Goa em perseguição a navios mercantes mouros, sob o comando de Fernando de Meneses.
1556: É nomeado provedor-mor em Macau; naufraga nas Costas do Camboja.
1562: É preso por dívidas não pagas; é libertado pelo vice-rei Conde de Redondo e distinguido seu protegido.
1567: Segue para Moçambique.
1570: Regressa a Lisboa na nau Santa Clara.
1572: Sai a primeira edição d’Os Lusíadas.
1580: Morre de peste, em Lisboa.

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  1. Es hielo abrasador, es fuego helado,
    es herida que duele y no se siente,
    es un soñado bien, un mal presente,
    es un breve descanso muy cansado.

    Es un descuido que nos da cuidado,
    un cobarde con nombre de valiente,
    un andar solitario entre la gente,
    un amar solamente ser amado.

    Es una libertad encarcelada,
    que dura hasta el postrero paroxismo;
    enfermedad que crece si es curada.

    Éste es el niño Amor, éste es su abismo.
    ¿Mirad cuál amistad tendrá con nada
    el que en todo es contrario de sí mismo!

    Francisco de Quevedo
    Um dos reprensentantes do movimento barroco
    do chamado “Siglo de Oro Español”.
    Parecido, coincidencia..?

    Saludos


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