SONETO

Leandro em noite escura ia rompendo
As altas ondas, delas rodeado
No meio do Helesponto, já cansado,
E o fogo já na torre morto vendo;

E vendo cada vez ir mais crescendo
O bravo vento, e o mar mais levantado;
De suas forças já desconfiado,
Os rogos quis provar, não lhe valendo.

“Ai ondas!” (suspirando começou):
mas delas, sem lhe mais alento dar,
a fala contrastada, atrás tornou.

“Ai ondas!” (outra vez diz) vento, mar,
Não me afogueis, vos rogo, enquanto vou;
Afogai-me depois quando tornar”.

DIOGO BERNARDES (1520-1605)
Nasceu em Ponte do Lima, Portugal. Tendo acompanhado el-rei D. Sebastião a África, como cantor oficial da expedição, por ocasião do desbaratamento do exército português, ficou cativo dos mouros, pelo espaço de cinco anos. Escreveu: O Lima, que contém as suas éclogas e cartas; Várias rimas ao bom Jesus, poesias de caráter religioso; e Flores do Lima, onde se encontram os seus sonetos, canções, elegias e cantigas.

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