VER-O-POEMA – 5 ANOS

Ano 395 de Santa Maria de Belém do Grão-Pará

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  1. Caro Edmir,

    Seguem estas novas crias.

    Abraços,

    Jeová Santana

    TOTEM

    O pensamento na cabeça deste boi
    Agora em repouso na parede.
    O tempo é um corte seco
    E um mugido toma lugar da fala

    Onde seu berro trilhoso gravou-se:
    Cercadinho de pobre de cristo
    Ou figura de lustrosa manada?
    Em que (re)pasto de lembranças
    Guardou-se o estirão dos aboios?

    O silêncio pousa no prato
    Enquanto a cabeça contempla
    O abate sereno das horas

    LABAFERO

    De tanto amor e tanto empenho dado
    para se acabar neste silêncio aguado
    como se toda a sustança do passado
    fosse uma florzinha em solo esturricado

    Se o poeta não consegue ficar calado
    pois debulhar as palavras é seu fado
    que fique a luz da arte como legado
    para dar rejunte ao coração quebrado

    E em nome de outro tempo vicejado
    deixar à Musa Ingrata o som minguado
    deste poema triste feito gato escaldado
    a quem cuspiu sem dó em prato refinado

    Os olhos de Maria Célia
    (a propósito de uma foto no face de Ronaldson)

    Os olhos de Maria Célia
    saltaram-me à vista
    do porão do passado
    tão ávidos de vida

    Como se pode conformar
    à demorada desaparição
    se seus olhos nos olham
    naqueles dias presentes
    com o mesmo toque cálido
    contra o qual não se fixa
    nenhuma demão de tempo?

    A fotografia é um clarão
    um resgate para a alma
    peixe-elétrico a grafitar
    fundas águas da memória

    diante deste espelho
    a plana de outra luz
    traz antigas sabedorias:
    onde está tua vitória
    ó indesejada das gentes?

    Foi-se
    Sem nem dizer até logo!
    Deixou um gato
    E uma paisagem
    Do primeiro tomo de conta
    Mas não suporto
    O silêncio colorido das helicônias
    É tanta gastura nos nervos
    Que dei pra endoidecer palavras
    Hoje de manhazinha larguei:
    Se uma chuvinha azul…
    (enquanto coava café)
    As lembranças são brasas.
    É o que resta
    Quando o amor talha

    Eu tô feliz eu!
    Como se minha amada
    Morasse em Olho d’Água das Flores
    Ou eu descesse outra vez
    Aquela ladeirinha
    Ao sair de uma pousada em Parati

    Eran las tres en punto de la tarde.
    O sol brincou
    de se esconder
    E a noite botou
    as manguinhas de fora.

    RIOSOFIA

    Se o risco norteia o bordado
    Como lembra Autran Dourado
    Se viver é muito perigoso
    Na riobaldagem de Rosa

    Confesso que não vivi
    Sem me abufelar com Neruda.
    Para encarar o Tinhoso
    E sua palavra tão muda

    Também me junto ao melhor
    Para iluminar essa via:
    Mão de mulher no cangote
    Cachaça, verso e folia

    Assim teço minha escrita
    Da passagem pelo mundo:
    Faço pose de bacana
    Mas sou nobre vagabundo
    14.12.2012
    PORQUINHO-DA-ÍNDIA (II)

    Teria sido mais feliz
    O poeta Manuel Bandeira
    Com suas ternurinhas
    (embora refutadas)
    Por seu porquinho-namorada.

    Pois conheço quem
    Ao chegar da escola
    Encontrou seu afeto
    Esquartejado sobre a mesa

    (e ainda o comeu, enganado…)

    Escurezas. Os caminhos do amor.

    INSPIRAÇÃO

    Pegar, a pulso, a poesia
    Levá-la às pradarias cecilianas
    E seus suaves harmônicos
    Para gerar camadas de sonhos.

    Deixar as hordas das esquinas
    Cumprirem seu destino insalubre:
    Banhar-se na luz do sangue.

    – A palavra: sombra e cintilância.

    MARULHO

    O MAR
    Ainda por aí.
    Ferido, sim.
    Mas cabe renovelar
    o encanto
    igual ao da primeira manhã.
    A caminhonete vermelha
    abriu as comportas.
    O tio condutor
    esfarelou-se.
    Em algum lugar
    destes nervos
    aconchega-se aquela ardência.

    (Aperipê, 30.10.2012)

    BAIRRO

    As casas somem
    pouco a pouco

    seus donos
    há mais tempo

    mas sílabas e barro
    hão de perdurar:

    A casa de dona Guiomar!

    O passado:
    Meu canteiro de hortaliças

    TALVEZES

    Talvez o súbito olhar
    Sobre uma rosa de fogo
    O volteio de uma cobra alada
    Algo assim destituído de metais
    A servir com rescaldo
    À desrazão de ser o mundo.

    Talvez a ternura de umas águas
    No pastoreio de uma casa ao longe
    Onde não pinicassem os códigos
    Que criam as oficinas do tempo.

    Arrebentar todos os calendários
    E virar um guardador de ninharias.

    A FLOR DO CU

    Há de se requerer muito zelo
    com esta flor tão combinada
    bem nutrida entre vaso e pelo:
    do nada pode ser despetalada

    Se vier enfraquecer o dono
    busca-se a voz da medicina
    que ao sugerir receita e sono
    restaura o padrão da oficina

    Então, querido cabra macho
    posto no trafêgo do mundo
    pastoreie bem este teu tacho

    Pois se não houver cuidado
    pode te calar bem no fundo
    muita dor no anel delicado


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