UM MUNDO FENOMÊNICO

CONVITE

O IFPA de Belém do Pará (antigo CEFET), através de seu Núcleo Pindorama de ações culturais, convida-lhe para a exposição Um Mundo Fenomênico, do artista visual e escritor brasileiro Tchello d’Barros.

SERVIÇO

Quê: Exposição de fotografias Um Mundo Fenomênico
Quem: Escritor e artista visual Tchello d’Barros (SC/PA)
Quando: 13.04.2011 quarta-feira
Início: 19h
Ingresso: Entrada Franca
Visitação: 13.04 à 28.05.11
Horários: 08 às 22h – segunda a sexta-feira
Local: Espaço de exposições da Biblioteca do IFPA
Av. Alm. Barroso, 1155 (antigo Cefet) Belém – PA
Texto crítico: Jiddu Saldanha (RJ)
Montagem: Núcleo Pindorama | IFPA
Curadoria: André Leite Ferreira (PA)

PROGRAMAÇÃO

Abertura: 13.04.2011 quarta-feira
14h – No mini-auditório da Biblioteca do IFPA
Palestra ‘Cordel e Contemporaneidade’
c/ Tchello d’Barros
19h – No mini-auditório da Biblioteca do IFPA
– Sarau-de-bolso c/ artistas convidados:
– Instrumental acústico c/ Miguel Cassiano
– Performance «Poema ao Pé do Ouvido»
(poemas de Tchello d’Barros) c/ Quexinho,
Josiane Nascimento e Joyce da Conceição
– Projeção de vídeos do autor e debate-papo
20h – No 2º piso da Biblioteca do IFPA
– Abertura da exposição fotográfica
– Lançamento de Cordéis de Tchello d’Barros

AÇÃO CULTURAL MULTILINGUAGENS

O autor em Belém
Tchello d’Barros escolheu Belém do Pará como sede para suas novas produções. Há mais de uma década que o artista visita a cidade das mangueiras, mas depois de realizar em 2010 a primeira exposição individual de Poesia Visual aqui no Estado (na Galeria Graça Landeira, curada por Emanuel Franco) resolveu fincar raízes e aos poucos vem se integrando na cena cultural. Além de editar uma revista, participa do projeto de residências artísticas do Espaço Cultural Corredor da Amazônia, das atividades literárias do Instituto Cultural Extremo Norte e realiza atividades voltadas para a literatura de cordel com o poeta Apolo de Caratateua.

Conceito
A mostra apresenta uma seleção de 30 fotografias P&B selecionadas da série Um Mundo Fenomênico, que Tchello d’Barros desenvolve há cinco anos, clicando em suas viagens pelo Brasil e Exterior. São objetos e cenários que, apesar da ausência do ser humano, denotam aspectos do cotidiano numa narrativa de costumes e hábitos que jogam com a imaginação decifradora dos visitantes da mostra. É um contraponto à exposição de 2010 apresentada em Vitória ES, onde todas as imagens tem o ser humano como motivo. A opção pelo P&B sugere uma interpretação da realidade, um recorte monocromático das cenas e lugares visitados. Mais que revelar, a série pretende sugerir, permitir ilações e deduções, ficcionais ou não. A ausência da cor propõe também um possível diálogo com a obra de fotógrafos referenciais para o autor, como Henry Cartier Bresson, Pierre Verger e Robert Doisnot, que também realizavam fotografia de rua e registro de viagens.

Vídeos
Para que os visitantes da exposição possam criar uma relação da coleção de imagens apresentada com outras produções do autor, haverá no auditório da Biblioteca do IFPA, um colóquio com Tchello d’Barros, debate-papo mediado pelo curador André Leite Ferreira, com participação dos artistas multilinguagens Karlo Rômulo e Marcos Smith, onde serão projetados vídeo-poemas e séries de gravuras, pinturas e fotografias de outras fases do autor. Depois da apresentação de instrumental acústico com o violino de Miguel Cassiano, haverá uma visita guiada oficializando a abertura da mostra. Após o término do período da exposição será veiculado no Youtube o vídeo-documentário Um Mundo Fenomênico, registrando essa ação multicultural realizada em Belém do Pará.

Poesia
Apesar da produção literária do autor em diversas modalidades, há um apreço especial pela literatura de cordel, tema de pesquisa, coleção e produção. Para tanto, o escritor estará ministrando no dia da abertura da mostra a palestra Cordel e Contemporaneidade e durante o evento estará autografando uma edição especial de seus cordéis: O Justo Destino do Pistoleiro Justino; O Mistério de Blém-blém e os Fantasmas de Jaraguá; A Feira do Passarinho de Maceió; O Matuto que se Espantou com as Mulheres do Recife; e O Papagaio. Mas a poesia autoral de Tchello d’Barros será também apresentada na performance “Poema ao Pé do Ouvido”, intervenção cênica dirigida pelo ator mineiro Quexinho e protagonizada pelas atrizes paraenses Josiane Nascimento e Joyce da Conceição, durante o coquetel do evento de abertura.

TEXTO CRÍTICO
A Ousadia do Enquadramento
por Jiddu Saldanha*

Quando nos deparamos com um artista comprometido com o que faz e percebemos a qualidade de seu trabalho, podemos também respirar aliviados por que nosso tempo será bem empregado e certamente iremos nos transformar/transfigurar. Tchello d’Barros é um artista que viaja pelas estradas do mundo e, no entanto, para nós, ele é a viagem e ao mesmo tempo quem descortina a paisagem que brota do ato criativo. Mergulhar em seu trabalho é percorrer caminhos, cruzar pontes, transpor margens e chegar a algo repleto de essência, lá onde o ato realizador e o rigor formal se transfundem em momento ímpar.

A profusão de temas que brotam dos cliques de Tchello d’Barros são inspiradores e parece buscar um olhar imaginativo: um espectador disposto a recriar cada foto no imaginário através de histórias cujo start é dado pela sugestão da cena. Vemos uma mão que toca um violão, uma estátua contra o sol, dedos que tecem uma rede de pesca, velas acesas, barcos vazios, cavalos em contraste como que num diálogo cósmico e uma rua bucólica iluminada por focos de luzes que mais parecem aura de anjos.

De um modo geral o que temos são cenas que bem poderiam detonar a criação de um filme, retratos inusitados obtidos pelo inquieto tanger de um caminhante. É como se cada fotografia estivesse pronta para continuar numa cena animada. O quadro escolhido é apenas sugestão, a foto continua se construindo em nosso imaginário.

Um Mundo Fenomênico é uma série monumental de imagens, que nos dão uma leitura ampla a partir de um recorte, que bem podemos nominar como a poética de um criador, neste caso, Tchello d’Barros, uma espécie de caixeiro viajante das estrelas, que traz a tiracolo um embornal de encantamento e ao qual oferece ao mundo todo um conteúdo que faz brilhar nossos olhares, as vezes tão cansados da poluição visual que grassa pelo universo humano.

Ao entrar em contato com as fotografias do autor, o espectador mergulhará no melhor da fotografia contemporânea, com enquadramentos ousados, imagens inusitadas e muita propriedade na escolha dos motivos. Aqui, nada poderá ser ignorado, Tchello d’Barros é extremamente meticuloso, cuidadoso e seu rigor observacional fará o expectador sentir-se respeitado por dedos que clicam com a mesma inquietação com que o olhar olha.

*Poeta, artista visual e produtor cultural
Cabo Frio RJ – Abril 2011

DEPOIMENTO DO AUTOR
“A série fotográfica Um Mundo Fenomênico diferencia-se de minhas produções em artes visuais e literatura, não só na linguagem mas também nas escolhas temáticas e respectivas abordagens. Vivemos um tempo de hiperinformação midiática, poluição visual e afetividades mediadas pelas recentes tecnologias virtuais. A produção dessa série de imagens não pretende negar nada disso, mas perpassa um conceito de extemporaneidade, como que em deslocamentos de nosso tempo presente ou lugar em que vivemos. As imagens são também um extrato visual de minhas viagens pelo Brasil e Exterior, onde o cotidiano do homem contemporâneo é flagrado de forma inusitada, em seus aspectos poéticos, dramáticos, culturais, sociopolíticos etc. O ser humano apesar de não aparecer nas imagens, tem sua presença sempre sugerida pelos objetos e cenários fotografados, dialogando assim com a imaginação do observador, co-autor deste um mundo transitório, fenomênico. A coleção de imagens constitui-se numa crônica pessoal com recortes da contemporaneidade, editada pelo olhar de viajante do autor mas mediada pelo que mais interessa: a imaginação curiosa, decifradora e ficcional do expectador.” Tchello d’Barros

SOBRE O AUTOR
Tchello d’Barros (Brunópolis/SC, 1967) é escritor, artista visual e viajante. Residiu em 12 cidades, percorreu 20 países em constantes pesquisas na área cultural e desde 2010 está radicado em Belém/PA.

Na Literatura, publicou meia-dúzia de livros de poemas, diversos cordéis e publica regularmente poemas, contos, crônicas e artigos em mídias impressas e virtuais, tendo escritos publicados em mais de 50 coletâneas e antologias. É membro de diversas entidades culturais e eventualmente realiza palestras e oficinas literárias.

Nas Artes Visuais, participou de cerca de 70 exposições, entre individuais e coletivas, com obras em desenho, pintura, infogravura, fotografia, instalação e poesia visual. Como designer, desenvolveu criações gráficas para agências de publicidade, desenhos para o segmento de moda e ilustrações para o meio editorial. Atualmente dedica-se a fotografar e desenhar temas da Amazônia.

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