UM POEMA BILÍNGUE DE PERPETUA FLORES

SIMBIOSE

Mar, cova e abismo,
submerso céu.

Movimento contínuo
se precipita
nas minhas margens.

Seca, estática, estátua,
eu que fui mar.

Minha cabeça, lua cheia.
Minha boca um castiçal
aceso em oferta a Iemanjá.

Envolta em verdes lençóis
um redemoinho de luz
me incendiava.

(Sempre devolvi os corpos).

Sou uma sombra de sal.

Quem mergulhará em mim,
avivando as águas?

À espera e um náufrago
deito na areia rósea.

Como o mar, não sei morrer.

………………………

SIMBIOSIS

Mar, tumba y abismo,
sumergido cielo.

Movimiento continuo
se precipita
en mis márgenes.

Seca, estática, estatua,
yo que fui mar.

Mi cabeza, luna llena.
Mi boca un candelabro
encendido en oferta a Iemanjá.

Envuelta en verdes sábanas
un remolino de luz
me incendiaba.

(Siempre devolví los cuerpos).

Soy una sombra de sal.

¿Quién inmergirá en mí,
avivando las aguas?

A la espera de un náufrago
me acuesto en la arena rosa.

Como el mar, no sé morir.

PERPETUA FLORES
Nasceu na cidade de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Radicada em Buenos Aires, Argentina.
Poeta, tradutora, crítica literária e ativista cultural.

Blog: http://www.am1010perpetuaflores.blogspot.com

Anúncios

The URI to TrackBack this entry is: https://farolante.wordpress.com/2010/08/03/um-poema-bilingue-de-perpetua-flores/trackback/

RSS feed for comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: