DE COMO LIDAR COM RIO

Represar um rio é impossível.
O rio insulta a barragem.

Se sustém uma folha calma de lago,
amplia suas pernas de Heráclito.

Veloz, recortará efígies das escarpas
e nas curvas fará ondas de mar.

Mas se segue da nascente à foz,
na outra margem é que está a flor.

Não é pisando em peixes
que conseguiremos atravessá-lo.

Largo, pinguela nele não cabe,
ponte não nos dará conhecê-lo.

Não seria sábio auscultar
o diário vaivém dos pássaros?

Com os braços dar forma
ao nosso sonho de asas?

De dentro domá-lo para sempre
com um simples remo?

Sidnei Schneider (1960)
Nasceu em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, Brasil. Poeta, contista, tradutor. Traduziu e publicou poemas esparsos de William Blake, Nicanor Parra, Vladimir Maiakóvski, Rúben Darío, Pablo Neruda. Publicou: Quichiligangues (2009); Plano de navegação (1999); Versos singelos, José Martí (tradução, 1997).

Blog: http://umbigodolago.blogspot.com

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