VENCIDOS

Nós ficaremos, como os menestréis da rua,
Uns infames reais, mendigos por incúria,
Agoureiros da Treva, adivinhos da Lua,
Desferindo ao luar cantigas de penúria?

Nossa cantiga irá conduzir-nos à tua
Maldição, ó Roland?… E, mortos pela injúria,
Mortos, bem mortos, e, mudos, a fronte nua,
Dormiremos ouvindo uma estranha lamúria?

Seja. Os grandes um dia hão de cair de bruço…
Hão de os grandes rolar dos palácios infectos!
E glória à fome dos vermes concupiscentes!

Embora, nós também, nós, num rouco soluço,
Corda a corda, o violão dos nervos inquietos
Partamos! Inquietando as estrelas dormentes!

Emiliano Perneta (1866-1921)
Nasceu em um sítio nas proximidades de Curitiba (Pinhais), no Estado do Paraná. Poeta simbolista, advogado, jornalista, auditor de Guerra e professor. Fez os primeiros estudos na terra natal, até que em 1883 foi para São Paulo, onde se matriculou na Faculdade de Direito. Participou da boêmia estudantina e foi um dos maiores animadores da imprensa acadêmica. Foi um grande agitador da vida literária paranaense, reunindo no Centro de Letras do Paraná, de que é o fundador, todos os intelectuais da cidade. Em 1911 recebeu uma grande consagração, ao ser eleito o Príncipe dos Poetas do Paraná. Obras: Músicas (1888); Carta à Condessa d’Eu (1889); Ilusão (1911); Pena de Talião (1914); Setembro (1934); Poesias completas (1945).

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