VASO GREGO

Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois… Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás-de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

Alberto de Oliveira (1859-1937)
Nasceu em Palmital de Saquarema, no Estado do Rio de Janeiro. Cursou Medicina, mas formou-se em Farmácia, em 1883. Foi funcionário público e professor de Língua e Literatura. É considerado o mais parnasiano dos poetas brasileiros. Notáveis são os poemas em que descreve objetos decorativos e aqueles em que revela a natureza brasileira. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, foi eleito Príncipe dos Poetas do Brasil em 1924. Doutor em Filosofia e Letras, Honoris Causa, pela Universidade Nacional de Buenos Aires (Argentina), sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa (Portugal), membro da The Hispanic Society of America (Estados Unidos). Publicou, entre outros, os seguintes livros: Canções românticas (1878); Meridionais (1884); Sonetos e poemas (1886); Poesias completas (1900).

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