O MAR

Que nostalgia vem das tuas vagas,
Ó velho mar! Ó lutador oceano!
Tu de saudades íntimas alagas
O mais profundo coração humano.

Sim! Do teu choro enorme e soberano,
Do teu gemer nas desoladas plagas,
Sai o quer que é, rude sultão ufano,
Que abre nos peitos verdadeiras chagas.

Ó mar! Ó mar! Embora esse eletrismo,
Tu tens em ti o gérmen do lirismo,
És um poeta lírico demais.

E eu para rir com bom humor das tuas
Nevroses colossais, bastam-me as luas
Quando fazem luzir os seus metais.

Cruz e Sousa (1861-1989)
De nome completo João da Cruz e Sousa. Nasceu na cidade do Desterro, hoje Florianópolis, no Estado de Santa Catarina, Brasil. Poeta simbolista. Entre as suas obras, destacam-se: Broquéis (1893); Faróis (1900); Últimos sonetos (1905).

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