JUCA, A MATUMBOLLA

(fragmento do extenso poema narrativo sobre uma lenda africana)

N’aquela nítida estância,
Sob um aspecto celeste
Porque tudo se reveste
De encantos de tal condão?
Era asilo misterioso
Que ali tinha oculto e aberto
Para o gênio do deserto
A fada da solidão?!

Era a mansão encantada,
Imersa em subtil perfume,
Habitação de algum nume,
De algum duende gentil?
Ou de um dos anjos divinos
Era acaso a doce gruta,
Longe da mundana luta,
Nas flores de eterno abril?!

Era. Dos anjos que em volta
De Deus se agrupam, recrescem,
Alguns há que à terra descem,
E é anjo a virgem também;
E ali morava uma virgem
D’essa pureza serena
Que nenhum mal envenena,
Que inda não manchou ninguém.

Chamava-se Juca. Nunca
Formosura tão completa
Deu em sonhos o poeta
A deidade que o seduz:
No rosto a beleza casta,
No corpo esbelto elegância,
Nos lábios suave fragrância,
Nos olhos um céu de luz!

Ernesto Marecos (1836- ? )
Nasceu em Portugal e estudou em Coimbra. É considerado poeta angolano pois, a partir de 1855, aparece em Luanda (Angola) como funcionário e colaborador da imprensa local. Mais tarde retira-se para Goa (Índia), fato que está documentado em alguns dos seus poemas. Publicou: Juca, a Matumbolla (1865); Folhas sem flores (s. d.).

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Published in: on setembro 19, 2009 at 1:04 am  Deixe um comentário  
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