O FAROL

Na amplidão do mar alto entre as vagas se apruma
O vulto do farol como uma sentinela;
Estardalhaça o vento, e a rugir se encapela
A água negra do mar em turbilhões de espuma.

Enche a trágica noite, atroa e se avoluma
Um insano clamor nas asas da procela:
É a morte! E ao temporal que as vagas atropela
Redopiam as naus na escuridão da bruma.

Mas, súbito um clarão a espessa treva inflama,
Acende o mar bravio, ilumina os escolhos,
E guia o rumo às naus contra os parcéis da morte…

É a vida! É o farol que escancarando os olhos,
Vira e revira em torno as órbitas de chama,
Ora ao Norte, ora ao Sul, ora ao Sul, ora ao Norte…

Victor Silva (1865-1922)
Embora nascido no Rio de Janeiro, em 7 de agosto de 1865, Victor Silva é considerado poeta gaúcho, pois desde 1897 radicou-se no Rio Grande do Sul, onde, no interior, foi promotor (Montenegro) e inspetor escolar. Em 1907 fixou-se em Porto Alegre e dirigiu a Biblioteca Pública do Estado. Aí teve como companheiro, entre outros, a Eduardo Guimaraens, que o substituiu no cargo, após o seu falecimento, em 13 de dezembro de 1922. Obra poética: Vitórias, Porto Alegre (1924).

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