OS QUE VINHAM DA DOR

Os que vinham da Dor tinham nos olhos
estampadas verdades crudelíssimas.
Tudo que era difícil era fácil
aos que vinham da Dor diretamente.

A flor só era bela na raiz,
o Mar só era belo nos naufrágios,
as mãos só eram belas se enrugadas,
aos olhos sabedores e vividos
dos que vinham da Dor diretamente.

Os que vinham da Dor diretamente
eram nobres demais pr’a desprezar-vos,
Mar azul!, mãos de lírio!, lírios puros!
Mas nos seus olhos graves só cabiam
as verdades humanas crudelíssimas
que traziam da Dor diretamente.

Sebastião da Gama (1924-1952)
Nasceu a 10 de Abril de 1924, em Vila Nogueira de Azeitão, Portugal, tendo falecido em Lisboa, a 7 de Fevereiro de 1952. Obras poéticas: Serra-Mãe (1945); Cabo da Boa Esperança (1947); Campo aberto (1950); Pelo sonho é que vamos (1953), póstumo.

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