MINHA AMADA RAIVA PRETA

– abutres me ternuram as entranhas
e logo vão tanger-te nua e monstro
e diz ser minha amada raiva preta

o ontem que joguei nas tuas mãos
dorme os ternos rumores duma guerra
e pede fecundado pelas rochas

não tombarei na sombra da espera
te arrancarei dos olhos do teu deus
para mais ofender minha certeza

e tua mão que mima os oceanos
a farei abortar o que te enleva
e ter a perversão que gera a vida

eu choro o que não tens mas quero ter
amei-te pra me dares mais leveza
nem força mais possui o teu perfume

nem vale amaciares esse ventre
porque se ele é fecundo gera a morte
e se está morto estila raiva preta

António Soares (1934)
Poeta, contista, crítico, editor e professor. Nasceu em Mar-Esposende, Portugal. Vive em Porto Alegre, Brasil. È o presidente do Insituto Cultural Português, fundado em 1979, em Porto Alegre.

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Published in: on maio 10, 2009 at 5:32 am  Deixe um comentário  
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