Um soneto de José da Natividade Saldanha

A SUA CONDENAÇÃO À MORTE

Em vão pretendes, monstro sanguinoso,
Sobre mim desfechar teu golpe injusto:
Fui condenado à morte?… não me assusto;
Não me acobarda* teu decreto iroso.

Sim, a pátria perdi, fui desditoso,
Mas vivo sob as leis de um povo augusto,
E o rei dos orbes poderoso e justo
Não tardará de ouvir meu som queixoso.

Une os escravos, que o Brasil encerra,
Invoca as fúrias do tremendo Averno**,
Desfaz-te mesmo enfim, nada me aterra.

Há de ser contra ti meu ódio eterno,
E hei de, enquanto viver, fazer-te guerra,
Na terra, e mar, e céu, e mesmo inferno.

* Acobarda: acovarda.
** Averno: Inferno.

José da Natividade Saldanha (1795-1832)
Nasceu no Recife, Estado de Pernambuco. Depois dos estudos secundários em Olinda, seguiu para Coimbra (Portugal), a estudar Direito, formando-se em 1823. De regresso ao Brasil, envolveu-se no movimento da Confederação do Equador; depois de breve estada nos Estados Unidos, refugiou-se em Bogotá (Colômbia), vivendo da advocacia e do magistério, onde faleceu. Obras poéticas: Poesias oferecidas aos amantes do Brasil (1822); Poesias (1875).

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Published in: on abril 15, 2009 at 6:49 am  Deixe um comentário  
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