Um soneto com tercetos à frente

GELO POLAR

Role do tempo na limosa penha
Um ano mais, e venha mais um ano,
Role este ainda, e mais uma outro venha…

Que importa! se no seio teu não medra
Desengano nenhum, nenhum engano,
Pois que ele abriga um coração de pedra.

A indiferença é tanta, é tanta a neve
Que no teu seio álgido se acama,
Do teu amor é tão gelada a chama,
Que a amar-te, estátua, já ninguém se atreve…

E se te desse o meu amor, em breve
Sei que se tornaria, altiva dama,
O meu amor, a minha ardente chama,
– Um urso branco uivando sobre a neve…

Venceslau de Queiroz (1865-1921)
Nasceu em Jundiaí, Estado de São Paulo. Fez o curso preparatório no Seminário de Caraça, em Minas Gerais, e depois seguiu a Faculdade de Direito de São Paulo. Exerceu o jornalismo, a magistratura e o magistério, tendo sido fundador e professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Fundador da Academia Paulista de Letras (cadeira nº 9). Obras poéticas: Goivos (1883); Versos (1890); Heróis (1898); Sob os olhos de Deus (1901); Rezas do Diabo (1939), póstumo.

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Published in: on abril 15, 2009 at 6:17 am  Deixe um comentário  
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