Luís Delfino, poeta catarinense

A PRIMEIRA LÁGRIMA

Quando a primeira lágrima, caindo,
Pisou a face da mulher primeira,
O rosto dela assim ficou tão lindo,
E Adão beijou-a de uma tal maneira,

Que Anjos e tronos pelo espaço infindo,
Qual rompe a catadupa prisioneira,
As seis asas de azul e d’ouro abrindo,
Rolaram numa esplêndida carreira.

Alguns, poisando à próxima montanha,
Queriam ver de perto os condenados,
Da dor fazendo uma alegria estranha.

E ante o rumor os ósculos dobrados,
Todos queriam punição tamanha,
Ansiosos, mudos, trêmulos, pasmados…

Luís Delfino dos Santos nasceu a 25 de agosto de 1834, na cidade de Desterro, hoje Florianópolis, SC. Aos 16 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade de Medicina, na qual se graduou em 1857. É eleito senador por Santa Catarina, em 1891, para a Constituinte Republicana. Desde jovem escreveu poemas. Integrou o movimento abolicionista tendo vários poemas dedicados à valorização do escravo como pessoa humana. Não publicou nenhum livro, sua vasta produção literária ficou dispersa em jornais e revistas. Faleceu no Rio a 31 de janeiro de 1910. Seu filho Tomaz Delfino dos Santos publicou postumamente 14 volumes de seus poemas.

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Published in: on abril 15, 2009 at 5:44 am  Deixe um comentário  
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