Castilho: poeta, prosador e tradutor português

OS SONHOS

Recordas-te, ingrata,
Quando eu te dizia,
Que em sonhos Armia
Cedia aos meus ais?
Sorrias, coravas,
Fugias, juravas
Que nunca os meus sonhos
Seriam leais.

Armia, esta noite,
Segundo o costume,
Tornei co meu nume,
Tornei a sonhar.
Qual és, eras rosa,
Gentil, espinhosa,
Sem par nos rigores,
Nas graças sem par.

Dou graças ao fado,
Já sonho esquivança;
Já luz esperança
No meu coração.
Tu juras que em sonhos
Só há falsidades,
E nunca deidades
Juraram em vão.

António Feliciano de Castilho (1800-1875)
Nasceu em Lisboa. Poeta, prosador, tradutor. Aos seis anos de idade, em consequência de uma doença, ficou cego. Com dezessete anos matriculou-se na universidade, aonde estudou Direito. Dedicou-se a vários ramos do conhecimento como a literatura, a história e as línguas antigas e modernas. Traduziu, entre outras, obras de Ovídio, Virgílio, Anacreonte, Públio Círio, Molière, Shakespeare, Goethe. A sua obra original é muito ampla, e dela, destacam-se em verso: Cartas de Eco e Narciso (1821); A Primavera; Amor e melancolia; A noite de castelo; Ciúmes do bardo; Escavações poéticas.

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Published in: on abril 15, 2009 at 6:30 am  Deixe um comentário  
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