João Ribeiro, poeta sergipano

MUSEON

IV

Este vaso quem fez, por certo fê-lo
Folhas de acanto e parras imitando.
É de ver-se a asa fosca o setestrelo
De saboroso cacho alevantando.

Que desejo viria de sorvê-lo
Os gomos todos um a um sugando,
Quando, contam, dos pássaros o bando
Do céu descia prestes a bebê-lo.

Examina este vaso. N’um momento
Crê-se vê-lo a voar, o movimento
D’asa soltando, como aéreo ninho …

Será verdade que este vaso voa
Ou porventura à mente me atordoa
Seu capitoso odor de antigo vinho?

João Ribeiro (1860-1934)
Nasceu em Laranjeiras, Estado de Sergipe. Poeta, jornalista, crítico, filólogo, historiador, pintor, tradutor. No Rio de Janeiro fez carreira depois de cursar Medicina, sem concluir o curso, na Bahia. Por concurso público, trabalhou na Biblioteca Nacional e depois no renomado Colégio Pedro II, na cadeira de Português. Estudioso de filologia, o que o levou a ter um papel decisivo nas reformas da própria língua nacional. Chegou a fazer estudos de pintura na Europa e a expor seus quadros mas foi no jornalismo e na literatura onde recebeu o reconhecimento por sua contribuição. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Faleceu no Rio de Janeiro. Obras poéticas: Tenebrosa lux (1881); Dias de sol (1884); Avena e cítara (1885); Versos (1885).

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Published in: on abril 9, 2009 at 11:22 pm  Deixe um comentário  
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