Poetisa gaúcha

ESPADA E ARADO

Cândida Fortes Brandão

Ameaçadora passa a lâmina fulgente,
Que no gume cortante o extermínio conduz!
Evoca o espadanar do rubro sangue quente
E o luto a soluçar em funerária cruz.

Santifica-lhe, entanto, o sinistro mister
Essa defesa audaz que impávida produz
E que no céu da Pátria um nuvem siquer*
Não consente a empanar-lhe a puríssima luz!

Ei-lo, o próvido arado, à faina redentora,
Rompendo o seio à terra onde a seiva dormente
Acorda-se a nutrir o germe da fartura.

E qual é do futuro a força amparadora?
– Aquela , a conquistar o direito à semente,
– Ou este, garantindo o alento da bravura?

*Siquer: sequer.

Cândida Fortes Brandão (1862-1922)
Nasceu em Cachoeira do Sul, Estado do Rio Grande do Sul. Poetisa, professora, ficcionista, jornalista. Colaborou no O Comércio, de sua cidade natal e em outros órgaõs de imprensa do Rio Grande do Sul como: O Corymbo, A Grinalda, Almanaque Literário e Estatístico do RS, Escrínio, Jornal do Comércio, A Pátria, A Tribuna. Quando Olavo Bilac passou por Cachoeira do Sul em 1916, homenageou-a com um soneto, declamado, no Coliseu Cachoeirense, pela poetisa Natércia da Cunha Velloso. Publicou, entre outras, as seguintes obras: Fantasia, coleção de contos e poesias (1897); Aniversário da Pátria, alegoria cívica em versos (1912).

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Published in: on abril 7, 2009 at 7:37 am  Deixe um comentário  
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