Júlio Perneta, poeta simbolista

CRESPÚSCULO

Júlio Perneta

No túmulo do ocaso iluminado,
Como nau afundando em tírio porto,
O dia tomba, triste, abandonado,
Nostálgico de luz e de conforto.

Hora em que o coração, genuflexado
Ante a visão feral do desconforto,
Vê desfilar das sombras o Passado,
Aos merencórios raios do sol morto.

Hora de dor, profunda de saudade,
Feita de lágrima e de prece ungida,
Soturna de velhice e mocidade!…

Como eu te sinto em mim, como eu te quero!
És a imagem fiel da minha vida
Que, apesar da desgraça, inda venero.

Júlio Perneta (1869-1921)
Nasceu na cidade de Curitiba, Estado do Paraná. Irmão de Emiliano Perneta e companheiro de Dario Veloso, Silveira Neto e outras figuras do intenso movimento simbolista paranaense. Durante toda a vida desenvolveu grande atividade jornalística, e com seus companheiros fundou algumas revistas significativas do movimento, em seu Estado – Azul (1893), O cenáculo (1895) e Pallium (1900). É patrono da cadeira nº 29 da Academia Paranaense de Letras. Da sua bibliografia constam livros de contos, estudos de história e de religião. Obras poéticas: Bronzes, poemas em prosa (1897); Malditos, poemas em prosa (1909). Os versos que escreveu não foram publicados em volume.

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Published in: on abril 7, 2009 at 7:27 am  Deixe um comentário  
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