Carmo Ferreira, poeta de Angola

SONHO (fragmentos)

Aos angolanos – Meus Patrícios

Sonhei. E foi um sonho ingente, terrível,
um átomo do Nada tocando o Impossível.

Era Nero que curvava aos pés dum cristão
sua frente abatida em muda expiação.

Oh! Sim; – vi lasciva, devassa Messalina
cingir duma vestal a veste diamantina.

Eu vi César tremer em face de Pompeu
de velho vi cair o imenso Coliseu.

Vi Alexandre feito cobarde e pequeno;
vi Sócrates tremer em face do veneno.

E vi, sonho sublime! – em célico clarão!
ressurgir Angola em meio da escuridão!…

Oh! Fontes, ao clarão duma aurora virginal
vi realizar-se o teu íntimo ideal!

Vi então Angola das vascas d’agonia
erguer-se esplendorosa à luz de um novo dia.

Que belo é pois viver numa família imensa
guiados pela Fé, unidos pela Crença?!…

Tudo isto antevia no sonho fabuloso
envolto num clarão, eterno, luminoso.

Porém, quando acordei, a negra realidade
mostrou-se bem crua:

nula era a Igualdade,
utopia o Direito e zero a Liberdade!…

Carmo Ferreira, de nome completo Lourenço do Carmo Ferreira (Século XIX-XX)
Poeta e jornalista nascido em Angola. A sua obra se encontra dispersa em revistas da época e em algumas antologias.

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Published in: on abril 7, 2009 at 7:58 am  Deixe um comentário  
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